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QUANDO EU OUVIA FALAR EM VEGANISMO

pensava que era escolha bela mas bem difícil: deixar de consumir qualquer produto de origem animal requer disciplina e controle. A maneira como criamos animais — as galinhas, vacas, porcos e peixes — em escala industrial é realmente cruel. Nesse sentido, o veganismo é uma decisão louvável, de não participar dessa cadeia de produção tão negativa e danosa ao meio ambiente.

Mas será que conseguimos prescindir do proveito que tiramos dos animais? Você não pode comer qualquer coisinha sem verificar os ingredientes? O que eu observava em pessoas ao redor que se tornavam veganas: muitas delas acabavam por se isolar — frequentando lanchonetes e restaurantes veganos, em companhia de amigxs também veganxs…  Comer é um ato social, e o veganismo me parecia um tanto extremo. E a decisão seria antes por questões éticas do que de saúde. Isso porque observava que a dieta vegana não seria necessariamente saudável.

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Lembro muito bem quando tomei a decisão de não comer mais carne, no começo de 2007. Comi uma esfiha de frango e passei mal. Minha digestão lenta e delicada foi o ponto central. Carne é pesada demais pra mim. Sem ela, sinto-me melhor. Minha exceção era peixe e frutos do mar. Por isso nem vegetariana eu poderia me considerar. Mesmo assim, muitas vezes, em refeições fora de casa, viajando, me via sem opções de comida.

O interesse por um boa alimentação cresceu desde aquela época. Mesmo assim, somente este ano tive uma mudança significativa na dieta. Até então, consumia muitos alimentos com farinha — mesmo sendo integrais, bolachinhas e barras de cereal atrapalharam minha saúde (mas isso rende tema para outro post).

Faz uns seis meses passei por uma consulta rápida com um terapeuta. Não segui tratamento com ele, mas aproveitei a dica que ele me deu. Tinha perguntado o que eu poderia fazer para manter uma vida mais saudável. Ele me responde: “siga uma dieta vegana. teu corpo não precisa tanto de proteína animal”.

A melhor maneira de comprovar se algo funciona é tentar. Como fazer para deixar de comer alimentos que fazem parte do cotidiano? Um conselho muito valioso encontrei aqui: primeiro introduzir outras opções no cardápio, antes de excluir. Fui aos poucos abandonando os alimentos de origem animal que eu ainda consumia: o mel, a manteiga, o queijo, leite de vaca já havia deixado há um tempo, iogurte deixei de lado. Os peixes, salmão que eu comia vez ou outra.

Pesquisei muito na internet. Encontrei blogs legais como esse, que dão o passo a passo das receitas. Criei um painel no pinterest para organizar ideias e pratos que eu fui aos poucos preparando.

Posso dizer que virei vegana? Não. Vez ou outra eu passo um pouco de manteiga no biscoito de arroz, ou uso molho pesto com parmesão. Se estou na casa de alguém, convidada a comer, não pergunto se a pessoa colocou creme de leite no prato que estou comendo. Abro essas exceções.

Além disso, o Marco come de tudo, carne inclusive. É normal que no almoço eu prepare uma omelete, caso ele queira. Não tenho como restringir a dieta de outra pessoa. Nem mesmo do Francisco. Se ele se interessa por um por um pedaço de queijo, come.

Uma amiga, certo dia durante uma conversa, falou da dieta do tipo sanguíneo. E não é que fez muito sentido pra mim? Sou tipo A, que justamente não consegue assimilar bem os produtos de origem animal. Seguindo esse ponto de vista, há ainda pessoas que precisam muito da proteína animal, enquanto que a outras convém um consumo moderado.

Há argumentos mil, pró e contra vegetarianismo e veganismo. Eu gostaria de conhecer mais a macrobiótica. Li um livro sobre crudivorismo, muito interessante, sobre o qual escreverei em breve um post. Fala-se muito da dieta paleolítica, que defende o consumo de carnes. Enfim, a discussão não termina. Penso que cada pessoa pode ir observando as reações do corpo ao alimentar-se. E a partir daí ir construindo sua própria maneira de comer — que é também uma forma de relacionar com o mundo e com a gente ao redor.

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