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GUARDEI UMAS FOLHAS

no meio do caderno, para ler depois, anotações de um ciclo de palestras; mais de dois anos se passaram, peguei agora. Pouca coisa das notas me dá alguma informação precisa –  incompletas e lacunares demais. Não sei o que foi dito pelos professores e o que eu mesma pensei. Alguma coisa ali ainda é verdade para mim hoje.

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DAS POUCAS CERTEZAS

uma delas: ela gosta de dar aula. Certeza ingênua ou incompleta, difícil de explicar; com dores e defeitos, ser professora agrada, dá vontade. Sente que não terminou de viver a sua adolescência, e vive a que vê nos outros.

UMA OUTRA VONTADE

foi ter guardado a foto desse livro:

era leitura da faculdade, peça de Beaumarchais (ou O barbeiro de Sevilha ou As bodas de Fígaro, ou as duas, visto que uma é continuação da outra). O que a foto diz do enredo? Não sei mais, sei lá se eu sabia na época. A data da foto, diz aqui, é 15 de junho de 2006. Ficou só ela, tirada mais ou menos na mesma posição em que me encontro agora enquanto escrevo.

RECEBIA UM EMAIL

só um, no sonho; destacava-se dentre os já lidos. Abria: fora o oi e o nome de quem me mandou, uma frase só: “ah, você só poderia ser você mesmo!” Ao ler essa mensagem, ria um pouco, desconcertada. Fechava e abria o email, como se o conteúdo pudesse mudar – não mudava. Eu era eu.

Antes disso eu me perdia em vários corredores de uma feira de universidades, um lugar antigo, com cores creme, alguns corredores mais novos, outros parecendo um lugar no Mediterrâneo. Esse lugar ficava num terreno de subidas e descidas, casinhas de pedra, chão de pedra. Depois de o carro onde eu estava quebrar a pouca distância dali, de me perder do grupo que estava comigo, eu conversava com uma representante do estande do Japão. Poderíamos ter um acordo, eu era favorável. Dizia para ela que as políticas diplomáticas brasileiras são baseadas na reciprocidade.

DOIS SONHOS

mãos se estendem; querem pegar ou largar?

no primeiro, a professora me repreendia, criticava, reprovava tudo o que eu fazia; eu me alterava, chorava, tentava me defender como podia; nada adiantava. A professora ria ao me ver naquele estado.

Em outro, eu estava dando uma palestra em conjunto com outras pessoas. Falava de tudo e de nada. Era algo como um relato pessoal sobre questões da educação superior. Defendíamos os cursos amplos, abrangentes, e nos colocávamos contra cursos muito especializados. As pessoas se movimentavam, eu não sabia onde ficar, pra que lado me dirigir.

ERA O COMEÇO

de uma aula, da graduação. Eu queria assistir como ouvinte. A sala em tons muito escuros, em alto contraste, de cinza e amarelo. A professora não parecia ela, mas uma reunião de professoras que eu conheço. Ela hesitava em falar. Os alunos pareciam todos vestidos de preto, mas um preto úmido (talvez como no começo de ‘Retrato do artista quando jovem’). E nos meus óculos tinham passado vicky vaporub.

Um colega começa a falar e eu vejo que ele colocou os cabelos no lugar da barba. A cabeça meio raspada. Fico com vergonha dele e da minha presença lá. Resolvo sair rápido.

Chego na seção de alunos, a funcionária está sentada no chão, sujeira e areia. Uns insetos rodopiam. São joaninhas de várias espécies e tamanhos. As maiores estão comendo as menores. Menores ainda são uns pulgões (agora me lembro que no livro de ciências as joaninhas comiam pulgões, tinha uma foto), e menores ainda talvez fossem ácaros.

Aparece um cara que trabalhou comigo, que cuidava da eletricidade. Fico pensando porque até hoje ele estaria solteiro; mas uma moça iria aparecer na vida dele; digo isso pra mim mesma enquanto ele vai embora de carro, para a casa dele, que fica num bairro tranquilo, muito longe e fora de mão.

UMA NOVA MOEDA

de 25 centavos apareceu. Entrou em circulação. Ela era redondinha, gordinha, amarela, da cor da estrelinha (do Super Mario ou a “estrelinha mágica” da Turma da Mônica). Bom, justamente no jogo do Mario há moedinhas pelo caminho, assim como no Donkey Kong deveríamos ir pegando todas as bananas que apareceriam.

Com ela, era possível tirar dinheiro dos telefones públicos. Bastava colocar (meio escondidos nos orelhões dava para descobrir um buraco para essa moeda) e saía dinheiro. Moedas de todos os valores. Estávamos na usp e a gente ia atrás de todos os orelhões tirar dinheiro que estava ali escondido, como um tesouro que piratas poderiam ter deixado para o futuro.

Lembrei agora que esse sistema se assemelha muito a um brinquedo que eu tinha, o Boca Rica. As moedas, a gente colocava e não sabia quando a portinha se abriria liberando tudo o que ele guardava.