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NO PRIMEIRO SONHO

de ontem, o filho de um aluno estava um pouco mais crescido, e já falava coisas de adulto: a rotina corrida do pai, a vontade de assistir um show de samba. Eu olhava para ele e me dizia que duas coisas estavam fora de lugar: ele já tão grande e a conversa dele.

Em outro, eu tinha muitas coisas para fazer num curto espaço de tempo. Meio atradasa, resolvo sair voando por cima dos prédios, para chegar mais rápido. Olhando para tudo de lá do alto me dou conta: se isso é um sonho, porque preciso cumprir obrigações e respeitar horários?

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ESTAVA EM RECIFE

no topo de um prédio alto, fazia muito calor. Sol forte, eu me escondia na sombra da casa de máquinas do elevador. Dois senhores, talvez trabalhassem lá, me explicavam o que eu via lá embaixo. Os trabalhos no porto: grandes contâineres, carregamento de peixe, caminhões chegavam e iam embora. Muito óleo; eu perguntava para onde ele ia – direto para o mar? O que eu achava mais desconfortável: estar no alto ou o que eu via lá no chão?

Mesmo dentro do prédio, as mulheres que trabalhavam num grande apartamento colocavam coisas no parapeito: uma tela que eu pintei, por exemplo. Ela poderia cair, ou envergar – eu achei uma melhor posição ali para a minha pintura.

PODIA SER OUTUBRO

e eu planejava mudar de direção, fazer algo diferente das revisões que eu fazia. Queria entrar mais no mercado editorial, desenhar, diagramar. Resolvi dedicar um pouco do dinheiro que juntava pra essa mudança de rumos. Duas opções: comprar um computador novo ou fazer cursos de programas de design. Escolhi a segunda opção, para encher o currículo. Peguei uma escola de informática razoável, cursos intensivos em dezembro e janeiro. No fim das contas: começo do ano seguinte, eu tinha largado o estágio de revisão, cancelei o curso, peguei meus cheques de volta. Comecei a trabalhar na biblioteca, o que deu no que deu hoje.

E por que cancelei o curso? Fiquei pensando, hoje de manhã, que eu talvez tivesse pouca simpatia pela interface dos programas, a carinha dos ícones das ferramentas de vetores, coisas assim (se os cursos fossem no mac, penso agora, poderia ter sido mais facilmente seduzida).

ENCONTRAVA DOIS COLEGAS

com quem trabalhei. Um deles ficava quieto me observando, sorrindo às vezes. Outro queria conversar comigo, mas tudo o que ele falava era incompreensível, precisava perguntar duas ou três vezes o que ele queria dizer. Algo me faltava: atenção, audição, contexto (ele me falava de algo que só depois, no sonho mesmo, eu descobri que era um site sobre cinema). Perguntei sobre o filho: acho que ele quis evitar o assunto.

NO ESCRITÓRIO

eu tinha horário para chegar e para sair; não podia chegar depois, nem sair antes; mas muitas vezes chegava antes e saía depois, muito depois. Ia de sábado por escrúpulo: muito trabalho acumulado. Contava horas extras no fim do mês. Cultivava a rotina: ir ao mesmo supermercado, comprar o mesmo pacote de bolachas integrais; fazer as mesmas piadas com os colegas; rir e se exasperar com as mesmas mensagens do chefe; levar para ele a mesma caneca de café; ir à mesma livraria na hora do almoço. Algumas variações: às vezes um restaurante, almoço de negócios, eu, a assistente, mocinha estranha que se veste com a calça do pai. Um diretor de outra empresa, no telefone, me cantava ‘ô Anna Julia!…’. Toda sexta baião de dois e suco de limão na casa do norte, antes de escolher uma pilha de filmes para assistir em casa.