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MISTURANDO TUDO

Hannah e suas irmãs, Minha noite com ela, jogo de corrida de carros nas cidades, Waking life, A origem, Alta fidelidade, 500 dias com ela, Amélie Poulain, Seattle nos anos 90, terremotos em 1910, pontes e mais pontes foram criando um sonho assim: eu, e mais alguém, saíamos por San Francisco ensolarada. Primeiro uma loja de LPs, depois a gente corria para uma loja de móveis e artigos de casa. Quando me dava conta, voltava pra rua, muito reta, mas cheia de subidas e descidas bem sutis. O celular me acorda – e percebo que meu sonho era uma vontade de voltar no tempo.

(Sobre Hannah…, que passou ontem na tevê: não é por acaso que Mickey (Woddy Allen) entra na loja de discos atrás de Holly (Diane Wiest). Ela estava justamente na seção de jazz, que dizia antes não gostar…)

A MULHER DO AVIADOR

é ao mesmo tempo a personagem mais importante e a menos importante de todo o filme. Ela é um monte de suspeitas e perguntas que aparecem umas atrás das outras, sem resposta – ou com respostas bem menos ambiciosas que as expectativas. Ela é o pretexto para um passeio sem rumo de tarde, com previsão de chuva, de ônibus, cortando caminho pelo parque, de volta no fim do dia à estação de trem. Passeio cheio de olhares e de conversas sobre nada, depois do qual se volta ao ponto de início.

Foi o primeiro filme que eu vi do Rohmer, no cinema, anos atrás. Depois de rever agora, o passeio continuou assistindo Nadja à Paris, (documentário?) que não me agradou tanto quanto A mulher do aviador, mas traz muito dessa rede de pretextos que levam as pessoas de um ponto a outro da cidade.

AS PEQUENAS COISAS

dos filmes do Rohmer, em meio às conversas que nunca terminam, os passeios, as viagens, são as que mais ficam. Agora terminando um texto, virando o dia sem dormir, começam os primeiros passarinhos cantar. Aí me vem “a hora azul” de Reinette et Mirabelle, no meio do mato; o raio verde do pôr-do-sol na praia, durante as férias de uma menina deprê e sem rumo; o joelho de Claire na paisagem alpina; o chapéu azul da duquesa; uma aula de francês para crianças; uma festinha nos anos 80; um menino indo embora na estação de metrô; encontros num bar.

Sozinha o tempo todo, procurando o raio verde, ele aparece quando ela está do lado de alguém.

E por aí vai.

DOMINGO PASSADO

sem ter planejado nem nada, revi com a Karen A árvore, o prefeito e a midiateca, do Rohmer. Já queria, desde janeiro, quando ele faleceu, rever, ou até melhor, fazer toda uma retrospectiva do que tem dele em dvd. E até ir atrás dos filmes posteriores a Inglesa o e duque.

A Karen defende que os filmes vão se mostrando cada vez mais chatos com o passar do tempo. Até entendo onde estaria essa chatice nos filmes dele. Percebo a dicção das atrizes, sim. Mas isso é mais razão para gostar do cinema que ele faz. As conversas sem fim, em longas cenas externas. As discussões que vão de paixonites a política. O real que ele coloca, indo para diversos lugares da França a cada filme. Pelos cenários que são na maior parte das vezes a rua (- uma ideia de filme: que ele só tenha cenas externas). Pelas pessoas que tentam ser como qualquer uma, vivendo.