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O QUE LER DURANTE A GRAVIDEZ?

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Fiquei pensando nessa pergunta logo ao receber a notícia de que uma amiga está grávida. Dei os parabéns e já em seguida passei umas dicas de livro — e olha que ela nem pediu, imagine se tivesse pedido… Os dois primeiros livros que indiquei a ela foram:

  • Parto ativo, de Janet Balaskas
  • A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman

Assim, a pessoa teria valiosas informações sobre a parte corporal da gestação, com exercícios e posições para o parto, com o primeiro livro; e equilibraria com uma análise mais psicológica de seu futuro papel de mãe, com o segundo — ao meu ver, um complementa o outro. Ambos são livros para se ler mais de uma vez, para ter sempre à mão quando bate uma dúvida. Tendo mais tempo e interesse, é bom ir atrás de:

  • Shantala e Birth without violence [Pour une naissance sans violence], de Frédérick Leboyer
  • Quando o corpo consente [À corps consentant], de Marie Bertherat e Thérèse Bertherat
  • O poder do discurso materno, de Laura Gutman

Sobre cada um deles, pretendo escrever um post futuramente. E a lista poderia se estender mais… Eu fiz para mim uma lista mais longa que essa para ler durante a gravidez, que não cumpri. São leituras em curso ou que ficarão mais para frente, seguramente:

  • Bésame mucho, de Carlos González
  • Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pínkola Estés
  • Um amor conquistado: o mito do amor materno, de Elisabeth Badinter
  • Le bébé est un mammifère, de Michel Odent

Quem se depara com os títulos acima pode se perguntar: — e meu orçamento pra livros? não dou conta de comprá-los todos!

Uma ideia é pedir alguns dos livros no chá de bebê; alguns deles eu ganhei de amigos. Além disso, pesquisando na internet, é possível encontrar bons trechos dos livros, que ativistas muito atenciosas traduzem e  compartilham — e até mesmo os livros integrais em pdf, sim! É questão de ir farejando… Com o tempo, a mãe leitora vai perceber que um livro leva a outro, que um autor cita outros e, quando menos percebe, estará criando a sua própria biblioteca temática!

21 DE DEZEMBRO

é dia do solstício, quando temos o dia mais longo no hemisfério sul, a noite mais longa no norte; quando o verão ou o inverno começam. É um dia, portanto, de passagem.

21 de dezembro de 2012 era o dia, alguns diziam, que os maias haviam previsto para o “fim do mundo” — ou pelo menos como o marco para o começo de novos tempos; era o ponto final do calendário maia. Ao que tudo indica, o mundo não acabou. No meu caso, esse foi um dia que sinalizou o começo de uma nova vida.

Logo cedinho, umas 5 ou 6 da manhã, fiz o teste de gravidez que havia comprado na farmácia na noite anterior. O resultado: positivo! Não poderia haver surpresa maior que essa. Meses antes, um ginecologista disse que eu poderia ter dificuldades para engravidar, por conta dos ciclos irregulares.

Mesmo antes de confirmar com a ginecologista (fui procurar outra médica para acompanhar a gravidez), já comecei a fazer algo que virou praticamente minha rotina de grávida: estudar, descobrir mais sobre esse mundo que eu ainda desconhecia. Comecei a visitar sites, entrar em contato com pessoas que poderiam me ajudar, buscar livros, filmes…

Tanta coisa nova aconteceu desde então: planos foram mudados; projetos foram deixados de lado; abrimos espaço em casa; rearranjamos muita coisa. Mas, principalmente, aprendemos muito.

O tempo da gravidez foi vivido com todos os seus altos e baixos: muita náusea e cansaço no início, o corpo e as sensações cada dia novas, a sensibilidade diferente, o humor que tantas vezes oscilava, um pouco de insônia… Aproveitei também para dormir muito, viajar e ver filmes. Fiz aulas de ioga para gestantes que me ajudaram bastante durante o parto.

Desde que o Francisco nasceu, incontáveis coisas se passaram num curto espaço de tempo… é toda uma outra vivência do tempo, quando se tem um bebê por perto. Vez ou outra, aproveitando uma brechinha de tempo, esboço o relato do parto. Foi uma experiência sem igual, que vale a pena ser compartilhada — até porque a leitura de tantos relatos, durante a gravidez, me esclareceram e inspiraram. Mas, escrevendo, percebi que apenas um contar como foi o parto não bastava. É um texto razoavelmente longo — e ainda tanta coisa fica faltando contar!

Percebi que seria preciso escrever vários outros textos — longos ou curtos, que dessem conta da experiência da gravidez, do parto, da maternidade. Ficou claro então que o ideal seria retomar a escrita do blog e ir publicando posts, passando adiante o que temos aprendido. Nada melhor, fazer duas coisas que me deixam tão feliz: escrever e escrever sobre ser mãe!

No fim das contas, recomeçar o blog também significa voltar a temas que já faziam parte dele: cinema, desenhos, fotografia, crochê, música. Um pouco de tudo do que eu gosto.