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UMA LISTA DE DESEJOS PARA 2015

era a ideia para o primeiro post do ano. Depois de ter relembrado o fim do ano retrasado e passado em revista 2014, parecia interessante lançar o olhar para frente e traçar planos e projetinhos para o futuro.

Eu já tinha começado a fazer um rascunho, criado o post no blog… mas eis que a leitura de “Deixa sair”, de Sonia Hirsch, me indicou algo muito pertinente.

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Essa questão do apego reapareceu em outra leitura que fiz em seguida, “A doença como caminho”.

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Os dois livros possuem temas bem parecidos — cuidar do corpo é também cuidar da alma; nossa realidade é construída num ritmo binário: fora e dentro, inspirar e expirar, entrar e sair. A cabeça ainda está cheia de ideias, insights e analogias… e os desejos ficaram de lado.

Assim, esse post é um não-post. Era para ser uma lista de desejos. Mas acabou virando um desejo só: de poder abraçar e aceitar este ano que começa com tudo o que ele terá a oferecer.

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FAZER UM BALANÇO DE 2014

me pareceu uma boa ideia. Muita coisa aconteceu e é interessante organizar os fatos, para então traçar planos para o ano que está chegando.

De uma certa forma, esse balanço já começou no post anterior. No final de 2013 eu coloquei como meta procurar algum tratamento alternativo — para cuidar tanto do corpo como da mente. Como presentes de natal, comprei para mim “Comunicação não-violenta” (de Marshal Rosenberg), “Você é minha mãe?” (quadrinho da Alison Bechdel) e “Mulheres visíveis, mães invisíveis” (da Laura Gutman). Essas três leituras se relacionam entre si, não por acaso, com o momento que estava passando. Vale posts para cada um deles, brevemente.

Em fevereiro, Francisco completou seis meses e começou a comer, por blw, provando as primeiras frutas e legumes. Em paralelo, tirei da minha alimentação açúcar refinado, glúten e quase todos os laticínios. Acredito que, como consequência do tratamento, me dei conta de que estava bebendo água de maneira compulsiva. Só agora no final do ano relaciono a sede excessiva ao consumo do glúten. Os produtos com farinha me pesam no estômago e são difíceis de digerir — o que me dá dor de cabeça e sensação de boca seca. Essa é como meu corpo reage; cada pessoa assimila os alimentos à sua maneira.

O ano passou testando, pesquisando e provando alimentos novos, predominantemente de origem vegetal — mas sem aderir ao veganismo estrito. Na cozinha, preparei coisas que não deram tão certo, mas também delícias como um purê de inhame, temperado com shoyu e cebolinha (inspirei-me aqui).

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Crochê e tricô ficaram meio de lado. O tempo ficou mais curto.

Francisco mal engatinhava no começo do ano; viajou pela primeira vez com 11 meses; deu os primeiros passos sozinho aos 13 meses e agora aos 16 já fala suas primeiras palavrinhas: água, flor, túnel, mamãe, papai, nonna, vovó, cocô, inhame, não, tá bom, tó…

Tem umas semanas que passeamos com um triciclo. Até então, era somente sling ou colo. Ele está maior, mais pesado — mas, principalmente, quer novidade. E se diverte à beça com o triciclo. Quando cansa, vem pro sling.

Tudo flui, está em movimento — de janeiro pra cá, foram tantas pequenas mudanças e descobertas que não caberiam aqui. Termino este ano muito feliz, aceitando a vida com suas passagens, perdas e aprendizados.

UMA LISTA DE CHÁ DE BEBÊ

que eu fiz, a pedido de uma amiga, logo no começo da gravidez. Muito carinhosamente, ela agitou um chá de bebê, mesmo que eu tivesse receio com esse tipo de festa — na verdade, cada dia que passa vou me dando conta que não tenho muita afinidade com organizar festa, ou ser anfitriã…

Depois de ter escrito dois posts sobre o assunto — aqui e aqui — , lembrei-me dessa lista, à qual adiciono uns comentários.

— Wrap, cueiro, sleepy bag: foram os primeiros itens; curiosamente, não os ganhei, não fui atrás; simplesmente não foram necessários. Eu pensava que enrolaria o Francisco num cueiro, para acalmá-lo e fazê-lo dormir tranquilo. Tentei uma vez e ele reagiu mais nervoso ainda! Deixei a ideia de lado (no post “antes eu achava que” falo disso).

— Termômetro para banho: outra coisa que não ganhamos e não sentimos falta. No começo a gente media a temperatura com aqueles termômetros normais, para a água do balde. Depois que passou para o chuveiro, a gente regula a água no corpo mesmo.

— Manta: fiz uma de crochê; ganhamos outras, várias, lindas. Tipo de coisa que sempre serve.

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— Óleo de massagem: importantíssimo, para fazer shantala, hidratar o corpo, relaxar.

— Gel para pernas e pés: não precisei, ainda bem. No calor, eu me aliviava lavando os pés com água fria.

— Concha para seios: só depois de fazer a lista, soube que conchas não são recomendadas. Anti-higiênicas, podem trazer fungos e fazem o seio produzir leite em excesso. Protetores de pano são o ideal, na minha opinião, como já disse antes.

— Escova e pente: Francisco nasceu carequinha e ainda não tem cabelo suficiente para usar. Estão na gaveta.

— Babador: toda vez que eu coloco babador, Francisco tira. Resolvi amarrar panos de boca. E não é que ele preferiu?

— Almofada de amamentação: ajuda muito no início, mas precisa ser de boa qualidade, firme. Ganhamos uma que não era tão confortável, depois compramos uma melhorzinha.

— Livros e CDs: ganhamos uma boa seleção. São itens prioritários para a gente! Além dos livros de pano e plástico e dos CDs de música de dormir para o Francisco, Shantala, A maternidade e o encontro com a própria sombra, Parto ativo foram algumas das minhas melhores leituras da gravidez. Até porque não precisamos cuidar só do enxoval — eu diria até que as roupas e acessórios são secundários, frente à importância de preparar o espírito para a chegada dx bebê. Nada melhor do que ler e escutar boas coisas!

O SEGUNDO TRIMESTRE DE GESTAÇÃO

é conhecido como a “lua-de-mel”. No meu caso, foi assim. Depois de passado o período inicial de muito cansaço e enjoo, tudo se renovou! Tinha energia para pesquisar, ler muito, caminhar. A barriga demorou pra crescer, foi aparecendo aos poucos. Precisei novamente comprar sutiãs e umas poucas peças de roupa.

A seção de gestantes das lojas tem quase sempre umas roupas que eu não via muita graça. Adaptei: comprei umas saias e camisetas de tamanho maior, do vestuário normal. De gestante mesmo só duas leggings e uma calça. Nada mais. Foi o suficiente. Boa parte das minhas camisetas e vestidos me serviam, mesmo que mais curtas por conta da barriga.

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Algumas das atividades desse trimestre:

– comecei a colcha de crochê; fazia ouvindo música, acompanhando o noticiário, conversando

– o diário de gravidez

– as aulas de ioga para gestantes, super importantes pra relaxar e descobrir posturas para o parto

– leituras como aquelas que eu indico nesse post

– escrevi uma resenha e enviei dois artigos pra revistas acadêmicas

– viagens, sozinha, com os amigos e com a família; a última eu fiz no limiar dos sete meses, de avião; correu tudo bem, valeu a pena!

Cada gestante vive essa experiência a seu modo. No meu caso, sentia-me feliz em derrubar o clichê de mulher grávida como frágil, doente. Gostei muito de viver esse momento de transição fazendo tantas coisas variadas. Mas passado esse trimestre, voltei à tranquilidade, nos meses finais da gestação. Sobre isso, falo em breve!