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SOBRE AQUELA FOTO, DE 2010

que foi o tema desse post aqui, ainda me vieram à mente outras coisas, sobre as quais vale a pena escrever.

Semanas antes da apresentação, entrei num estado de crise. Bateu uma profunda dúvida em relação ao que eu estava fazendo. Quero estudar autobiografia? É isso mesmo o que quero para mim? Será que não haveria outro tema, outro interesse que eu poderia explorar? Não enxergava nenhuma resposta. Fui adiante, mesmo com a visão embaçada. Às vezes é necessário confrontar-se com uma imagem pouco nítida, como uma pessoa em movimento — é mais ou menos o que diz Wittgenstein num texto que me tocou muito um ano antes. O mestrado foi um enorme aprendizado, no âmbito pessoal, sobretudo: para lidar com x outrx e comigo mesma.

Voltando àquele tempo, sentia-me bonita, gostava daquelas roupas, do corte de cabelo; essa lembrança foi clara, logo ao ver a foto. Acho bonita essa Ana Amelia de quatro anos atrás. Paro pra pensar em como o tempo voa rápido e talvez não passe de uma ilusão.

Eu estava magra, mas isso não significa que comia bem ou que estivesse bem de saúde. Lembro que para compensar o estresse, abria uma lata de leite condensado — coisa tão comum, fazer um brigadeiro de panela para acalmar os nervos. Devorava doces, sedenta. Agora entendo melhor aquela minha dependência de açúcar. Antes, eu diria que chocolate era algo indispensável na minha alimentação. Hoje, quase seis meses seguidos sem comer nenhum tipo de doce, percebo que podemos mudar nossos hábitos.

Naquele outubro de 2010, estava me tratando com homeopatia e tinha me matriculado no kung fu. Ouvia muita música, ia a vários shows, mesmo sozinha. Era como se o som do palco e a multidão da plateia me davam um pouco de força. Uma força que eu tentava obter também nos movimentos do kung fu. Força que estou ainda à procura.

Olho para trás com felicidade: sim, tanto agora como naquele momento caminho minha estrada, ao mesmo tempo tão diferente de antes, mas tão igualmente parecida.

PODE SER

pelos movimentos do kung fu e pelas lutas, ou por outras coisas, que o filme cativa. A mim, ainda por outros detalhes: a história que vai sendo contada em conversas; conversas que trazem lembranças; histórias de crianças, e os personagens, por serem ainda (e sempre) crianças erram e precisam aprender.

AVIÕES CAINDO

um atrás do outro. Estávamos na rua e todos os aviões no ar perdiam controle e iam caindo. Horrível vê-los se espatifando em cima de casas, no meio da rua, o barulho de desespero geral. Na televisão, que víamos num bar, o noticiário falando sobre isso. Perguntamos às pessoas o que tinha acontecido. Disseram que os aviões tinham “perdido os nós”. Decidi acordar.

Depois eu tinha que brigar com um cara grande, um armário. Estávamos discutindo, em casa (mas era na Praia Grande), sobre um serviço que ele tinha feito e como pagaríamos. Dei 200 reais em dinheiro. Exigimos o recibo. Ele nos enrolou e não deu. Fiquei com vontade de dar-lhe uns golpes de kung fu, mas ainda sabia pouquinho. E além disso, o kung fu não serviria pra isso. Mesmo assim fiquei treinando uns movimentos.