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UMA CONEXÃO EM CHICAGO

de mais de seis horas: era uma boa oportunidade para sair do aeroporto e fazer uma visitinha rápida pela cidade.

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Era bem de manhãzinha, sábado, verão. Peguei o metrô, linha azul.

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Quando achava alguma estação interessante, descia do metrô e tirava umas fotos da paisagem que se poderia ver da plataforma. Quase toda a linha era aérea. Lembro de poucos trechos subterrâneos. Hoje pensando, por que simplesmente eu não fui conhecer o centro da cidade? Seria a escolha mais óbvia.

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Até de uma das estações podia avistar o centro.

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Ao mesmo tempo, era legal avistar um pouco da vida da cidade, lá do alto da plataforma. O dia estava começando, o calor prometia.

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Na verdade, eu estava curiosa pelo nome da estação e de uma avenida, Cicero — é como se chama um grande amigo. Nem me dei ao trabalho de espiar pelo Street view. Fui às cegas passear pela Cicero Avenue.

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Lá chegando: tudo meio deserto. Esperava uma via movimentada, com comércio. Até pensava em comprar um notebook — estava precisando, tinha que terminar um trabalho para a faculdade durante a viagem. Mas que nada. A avenida era calma, terrenos baldios, lojas fechadas. Os EUA tinham acabado de viver aquela super crise.

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Resolvi continuar por aquela larga via, sob o sol que ia esquentando. De repente, do outro lado da rua, um moço grita olhando pra mim: — HEY, WHITE GIRL!

Ops, dei-me conta, então, de que todas as pessoas que caminhavam pela rua eram negras. Estaria em meio a um bairro negro ou coisa do tipo. Em seguida, percebi que eu era branca. Sei lá, pensei, mas eu não seria latina, pelo menos? O que devo fazer, ir embora daqui?

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Já cansada de tanto andar em linha reta naquela longuíssima avenida, dei meia volta, em direção ao metrô. Sentada perto da janela, admirava um pouco mais a vista. Resolvi ir para o aeroporto, sem parar no centro nem em outro lugar. Lá, compraria um sanduíche, um suco, e esperaria pelo vôo em direção a Québec, onde me esperavam outras histórias.

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A FACULDADE, EM 2007

estava em greve. Era julho, eu tinha a tarde livre antes de ir trabalhar. Resolvi tirar umas fotos do prédio da Letras, praticamente vazio. Hoje revejo as fotos, enquanto estava escrevendo um novo post sobre a rua Paim.

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Alguma semelhança percorre a série de fotos das demolições da Paim e as instalações precárias da faculdade: são registros de um momento de transição, pouco antes de reformas, ampliações, construções. São parte de um cotidiano passado — o tempo em que passava todo dia pelas mesmas ruas, pelos mesmos corredores.

BOAS PEQUENAS COISAS

na rua – como o escadão que liga a Avanhandava ao comecinho da Frei Caneca, com a Caio Prado. Dias atrás passei por lá, ela estava interditada – a tristeza bateu: vão fechá-la? murar a escada? Não, que bom! Ela agora está novinha, degraus refeitos.

PEGAVA UMA CÂMERA

já velha, guardada um tempão na gaveta; vai ver ela esperava isso: depois de muito tempo, comprar um rolo de filme e fazer toda a cerimônia antes de começar a tirar fotos: abrir a embalagem do rolo, a caixinha de plástico, o cheiro da película, puxar a pontinha, encaixar nos dentes de um lado, do outro o rolo cheio ainda; fechar a tampa, sem deixar muita luz entrar, por enquanto.

Eu acordei assim, achando muito viável, muito próximo de mim, esse sonho, eu com uma câmera pronta pra sair na rua e tirar fotos. Todo o mistério das fotos até elas serem reveladas.

HORA AZUL

fica no espaço que separa o dia da noite.

HOLA, ME ESTÁS LEYENDO

e assim vamos indo, de um degrau a outro na escada, que começou não sabemos onde e leva a também outro lugar que desconhecemos.

MAIS DUAS CASAS

indo abaixo na rua Paim.