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O PRIMEIRO DENTINHO

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chegou por volta dos seis meses. Já fazia um bom tempo que ele babava bastante — sinal de dente nascendo. Além disso, percebemos que ele roçava qualquer brinquedinho na gengiva. Dizem também que esfregar as orelhas sinaliza dente chegando.

Na verdade, é todo o corpo que está mudando. O sistema digestivo, especialmente. O Francisco teve algumas assaduras, mas bem pouco. Usar fralda de pano e trocá-la com frequência alivia esse problema. Pomadas são desnecessárias: inibem as defesas naturais da pele e criam uma dependência. A pele do Francisco ficou bem melhor depois que deixamos de usá-las.

Muita gente relata dificuldades quando os dentes estão despontando: noites mal dormidas, febre, dores fortes. Felizmente não tivemos nada do tipo até o momento. Por volta dos quatro meses o Francisco começou a usar um colarzinho de âmbar. Ainda que faltem pesquisas científicas que comprovem sua eficácia, acreditamos que ele tenha ajudado.

Logo depois do primeiro dente, chegou um outro. E aos dez meses, já dava para perceber quatro dentes chegando em cima!

Os dentes chegam num momento de amplo desenvolvimento motor. O Francisco engatinha, levanta-se com apoio. Sua percepção do corpo vai ficando mais afinada — mãos, pés, cabeça. Dá tchauzinho e bate palmas. Experimenta todo tipo de frutas e legumes. O cocô mudou, assim como o ritmo das evacuações — assunto para outro post.

Enfim, os dentinhos vão compondo um rostinho de criança, coisa tão bonita de observar.

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UM HOMEM SÉRIO

começa de várias maneiras, ou começa em diferentes momentos: uma citação, a pequena história do dybuk na casa de judeus em algum lugar da Polônia, os créditos iniciais com os nomes dos atores, o check-up que o pai de família está fazendo numa época que oscila, num lugar também incerto – mas nos EUA.

Só nos momentos finais temos a ligação do médico, um tanto assustadora: o resultado do raio-x precisava ser informado pessoalmente. Durante todo o filme, o que acompanhamos seria um tipo de exame desse homem: o irmão com um problema de cisto, o dentista que encontra mensagens nos dentes de um cliente, a vizinha que se bronzeia no quintal, a filha que quer operar o nariz, o filho que terá provavelmente problemas de audição no futuro.

DA ORTODONTIA

eu esperava a correção de um erro de posição dos articuladores do maxilar: atm, do qual pouco sei em teoria, mas talvez o necessário na prática. Erro aparente desde as primeiras fotos de infância, mas que era só um traço da fisionomia. No fim da adolescência, e anos depois desse fim, o erro começou a se mostrar doloroso. E insuportável. A solução foi tratar desssa dor e desses movimentos com outras dores e outros movimentos. Movimentos e dores estes com função de fazer pensar em atos cotidianos que podiam me passar despercebidos: a mastigação, o bocejar de manhã, morder um chocolate, dar uma aula. Tratamento que me leva a descobertas recentes: 1) o toque dos dentes não é necessário: somente em 17% do dia;  2) tenho força de 120kg/cm cúbico mas não tenho coragem de morder uma maçã. 3) a arte da conversa – dos dentistas – para o qual só podemos responder: – ah! – com a boca aberta.