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ERA FESTA JUNINA

no pré, a professora estava organizando a quadrilha. Não lembro direito: acho que na turma havia bem mais meninas que meninos. Por isso, não dava pra criar pares sem que algumas meninas se vestissem de menino.

Qual o critério que a professora levou em conta pra escolher que meninas seriam meninos? Arrisco dizer que eu mesma me ofereci pra ser menino.

As roupas de quadrilha das meninas pareciam chatas. Aquele chapéu com duas trancinhas magras e postiças nunca me agradou. Eu, de cabelo ralo e curto também não poderia ter boas tranças.

A roupa dos meninos era toda improvisada. Não precisava comprar pronta no Jumbo, como o vestido de chita. Era pegar uma calça jeans e costurar remendos falsos. Uma camisa xadrez de flanela, que sempre tivemos. Qualquer sapato ou tênis. Um lenço colorido da mãe. Com a maquiagem da mãe também, fazer uns desenhos de bigode e cavanhaque. Ah, não esquecer de pintar uns dentes de preto. Tá pronta.

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A foto é escura; mesmo assim dá pra perceber meu sorriso.

Muitos anos depois, dancei quadrilha de menina, com tranças verdadeiras e tendo como par meu então namorado.

A MATERNIDADE E O ENCONTRO COM A PRÓPRIA SOMBRA, DE LAURA GUTMAN

é outro dos livros interessantes que descobri durante a gravidez. Estava lendo um relato de amamentação e lá encontrei a referência a ele. Fui atrás, encomendei, comecei logo a ler. Depois disso, em vários blogs, sites, relatos que eu acompanhava, via a mesma indicação de leitura.

Laura Gutman é uma best-seller. Tem um instituto em Buenos Aires, onde orienta famílias; muitos livros publicados; dá palestras, entrevistas. Em razão do sucesso de A martenidade…, ano passado, dois outros livros seus ganharam tradução para o português.

O livro parte de uma ideia muito elementar: a de que mãe e bebê vivem, nos primeiros momentos, uma relação fusional. O bebê vive no interior do corpo de sua mãe, durante a gestação. Mas, mesmo ao nascer, separado daquele corpo, a fusão ainda se mantém — falar de mãe ou de bebê é falar dos dois ao mesmo tempo.

Essa dimensão fusional é tratada em diversos escritos. Até mesmo em Shantala: a massagem conduz mãe e bebê a se descobrirem.

O bebê tem a capacidade de revelar à mãe sua sombra, ou seja, tudo aquilo que ela rejeita ou renega a respeito de si mesma. O pós-parto seria o momento-chave, durante o qual a mãe entra em contato com sentimentos contraditórios, inesperados.

Cabe à mãe colher a oportunidade de encontrar com sua própria sombra. Mas como a sombra dá medo — é obscura, misteriosa, pesada — muitas mães evitam esse processo de autodescoberta. Deixam a cargo da criança manifestar a sombra, das maneiras mais diversas: problemas na amamentação, doenças, desvios de comportamento, por aí vai… Em suma, qualquer interferência na relação fusional vai se manifestar, muito provavelmente, por meio do bebê.

Por esse ponto de vista, a autora comenta uma série de situações da maternidade: a gravidez, o parto, o papel do pai, a amamentação, a vida sexual, o sono, o nascimento de um segundo filho, a escola, o retorno à vida profissional…

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Outro ponto que me chamou muito a atenção durante a leitura: o bebê que temos nos braços se vincula ao bebê que também somos. Isso me encantou: acompanhar o Francisco me faz rever e renovar a criança que sou eu, que eu fui. Minha descoberta do papel de mãe envolve questionar como eu vivi minha infância, relembrar situações, buscar novos meios de me relacionar com o mundo.

Gutman também trata das doenças como manifestação da sombra — como uma mensagem que enviamos a nós mesmos. A mudança de alimentação pela qual estou passando faz parte desse meu esforço em entender melhor meu corpo e minhas necessidades (escrevi sobre isso aqui e aqui). Já me perguntei se a água que bebia em exagero não era algo que eu escondia de mim mesma.

Minha intenção neste post não é resumir o livro, até porque um post não dá conta disso, dada a variedade de temas que ela aborda. Escrevendo como fiz nos parágrafos acima, o livro pode parecer confuso, hermético. E não é. A escrita de Gutman é bem simples, sensível. Ela ilustra suas ideias com casos de mães, pais e filhos que ela atendeu em sua longa experiência como psicóloga.

O livro se dirige não somente a gestantes, mas a mães e pais de bebês, crianças pequenas, até mesmo adolescentes. Desde a gravidez, já o reli em vários momentos, discutindo sempre com o Marco.

Para finalizar, aponto dois aspectos que faltam ao livro. Primeiro: sinto falta de relatos autobiográficos. Gutman é mãe: como ela viveu sua autodescoberta? Ela se limita a descrever seus partos. Por que não fala mais sobre si? Segundo: em poucos momentos ela traz a referência às ideias que apresenta: Jung e Rüdiger Dahlke são alguns deles. Winicott parece ser um autor que a inspira mas ela não o cita. De qualquer maneira, o tema me interessa tanto que estou começando a ir atrás dessas leituras relacionadas. Assunto para outros posts…

EU NÃO SEI COMER

acho que nunca soube; quando me dei conta disso, anos atrás, veio logo um pensamento: e se não precisássemos nos alimentar para viver? seria mais fácil?

Parecia que tudo o que eu comia não era bom; que escolher e entender sobre alimentação eram coisas bastante difíceis. Eu entendia que comer bem era fundamental para uma boa saúde. Revendo minha história, buscava um caminho que valesse a pena seguir.

Fui aquela criança que não comia “nada”. Magrinha e muitas vezes doente, lembro que gostava de arroz, gema mole com pão, banana e doces. Até colheradas de açúcar puro eu comia. No pré, uma “tia” me enfiava goela abaixo ovo cozido e feijão na hora do almoço. Talvez nunca me esqueça do quão desagradável era ser pressionada a engolir duas coisas que até hoje eu não gosto de comer.

Minha mãe se preocupava, tentou várias coisas: comprou uma centrífuga para fazer suco de cenoura. O bagaço engrossava o molho de tomate. Também colocava água de beterraba na gelatina.

Massas, pão, bolacha, gemada, esfiha, sorvete… era pra isso que eu dava atenção. Era bem gordinha entre 8 e 14 anos. Depois fui emagrecendo naturalmente: tomei gosto por caminhar, quando comecei a trabalhar aos 15 perdi mais uns quilos.

Por conta própria, nessa época, deixei de lado refrigerantes e embutidos. Percebia que faziam mal.

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Passei por oscilações de peso, mesmo que sutis. Atividade física? A partir dos 20 anos, fiz de tudo um pouco: hidroginástica, ioga, tênis, boxe, academia, dança, curves, kung fu… mas nada além de seis meses. A prioridade foi sempre trabalhar e estudar. O corpo e a saúde ficavam em segundo plano.

Engordava e emagrecia sem muito controle. Os doces, como sempre, eram muito presentes, mesmo que eu tentasse incluir alimentos saudáveis. Cereais, biscoitos integrais, ovomaltine, yakult e leites de soja me ludibriavam: ué, não fazem bem à saúde? — pois é, como essas comidinhas cheias de açúcar nos enganam…

Um outro elemento entra com força: cafeína. Expresso, capuccino ou chá mate — com algum doce por perto — faziam a dor de cabeça ir embora e davam energia pra enfrentar as aulas.

Doentinha quando criança, tinha rinite, amídalas inflamadas, pneumonia, sinusite… tudo tratado com antibiótico, xarope, rinosoro. Resultado: sistema imunológico bem fraco. Depois dos 20, vieram enxaqueca, gastrite, alergias de pele, acne, varizes, micose, bruxismo… Foi quando me enchi dos consultórios tradicionais e procurei acupuntura, iridologia, homeopatia. Parei com carne, salvo peixe. Mas ainda tinha tanto a melhorar. Eu procurava, procurava…

A história é longa. Por ora, com a gravidez e a vida com o Francisco, a minha afinidade com as terapias alternativas só aumenta — porque buscam ver o indivíduo por completo, dão mais valor ao processo do que ao resultado, promovem mudanças de atitude.

Além disso, não quero que o Francisco viva o que eu vivi. Que a minha experiência sirva de aprendizado para mim mesma como mãe, ao menos para guiá-lo em seus primeiros passos.

Por fim, ainda não sei comer; mas que eu possa sempre aprender a comer melhor.

APRENDER UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA É

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— não saber dizer coisas elementares quando mais se precisa.

— fazer uma criança perder a paciência tentando explicar algo de que você não tem a mínima ideia. ela fica emburrada e desiste de falar com você.

— lembrar-se de uma palavra ou frase muito tempo depois do momento em que ela era fundamental. e aí já é tarde demais.
— desligar o telefone no meio de uma conversa por não saber como continuar o diálogo, sem nem ter se despedido. morrer de vergonha de ter feito isso.
— responder de maneira lacônica — “não”, “ok” ou “sim, eu sei”, por exemplo — a uma longa e detalhada instrução que alguém te dá. e esse alguém fica na dúvida se você realmente entendeu tudo o que ele disse. pra tentar esclarecer, repete o que já disse e você novamente responde com um “ok”. você entendeu perfeitamente mas não sabe como dar uma resposta mais longa.
— as pessoas evitarem falar com você por receio de que você não entenda e não saiba responder.
— saber pronunciar e dizer algo perfeitamente, no momento certo. e mesmo assim a outra pessoa não presta atenção no que você está dizendo ou simplesmente não te leva a sério. minutos depois volta a perguntar a mesma coisa a você.
— surpreender a si e as outras pessoas, comunicando-se muito bem, mesmo que de maneira rudimentar, quando menos se espera.

O PROJETO ROSA E AZUL

ou, em inglês, “The Pink and Blue Project” é uma série de fotografias da sul-coreana JeongMe Yoon. Seu trabalho ilustra bem a separação entre cores e gêneros — e como ela está relacionada a um consumo desenfreado, a uma acumulação intensa de objetos. Já comecei a falar sobre isso no post anterior.

[clique nas imagens para vê-las no site da fotógrafa, em tamanho maior]

Ela relata que o projeto partiu de sua filha, que escolhia somente roupas e brinquedos rosa. Começou a fotografar somente meninas, quando se deu conta de que seu filho, assim como tantos outros meninos, possuem brinquedos, utensílios e roupas que seguem escalas de azul, das mais escuras às mais claras.

Olhar a série de fotos, que começou em 2005 e continua aberta, dá uma certa tontura. Há crianças de todas as idades, bebês muito pequenos para terem um gosto ou autonomia para escolherem simplesmente tudo de uma só cor para si mesmos. Vemos até uma jovem garota, já meio grandinha mas que não quer nada para si que não seja rosa — e assim dá o sinal de que esses papéis fixos entre o masculino e o feminino não se limitam somente ao período da infância. Crescemos em torno de determinados limites para o que se espera de uma menina, uma mulher, e um menino, um homem. Muitas das meninas estão vestidas de princesas, como se pudéssemos ter tantas delas na vida real. Os meninos mostram seus aparelhos esportivos, de ciências, seus animais e mapas, como caçadores, exploradores ou cientistas.

Além disso, as crianças são todas fotografadas sozinhas, em seus quartos, rodeadas por seus objetos. Não porque estamos vendo filhos únicos, não é o caso. A questão é que cada um daqueles indivíduos em formação possuem um quarto para si, um espaço de construção de si mesmos. Mas eles parecem tão pequeninos face ao amontoado de aparatos, limitados pelas paredes do cômodo; quase não se vê janelas, talvez nenhuma porta indique a saída.  Estáticas, sem movimento, as crianças estão longe da natureza, cercadas: tudo ao redor delas é comprado, fabricado, confeccionado, direcionado para quem ela deve ser. As fotos ganham um ar de peça publicitária. Os objetos estão expostos como numa vitrine de loja, dentro da qual a criança está mais para um manequim ou um boneco.

Como se vê no caso bebezinho acima, todo rodeado de azul, ele nem tem a possibilidade de escolher algo que fuja a essa cor. De que maneira ele poderá libertar-se dessa imposição?

Uma amostra está nesse outro par de fotos: duas irmãs, fotografadas num espaço de tempo de três anos. Em 2006, bebês; em 2009, já grandinhas. O volume de objetos aumentou consideravelmente. A tonalidade de cores não: cada peça pertence a uma escala do lilás ao rosa. Ao que tudo indica, esse seria o ponto de partida para uma continuação da primeira série: The Pink Project II.

Pode-se argumentar: ah, mas elas gostam de rosa! Claro, admito que as crianças desenvolvam seu gosto pessoal. Mas de que maneira elas puderam experimentar e descobrir coisas diversas daquilo que lhes foi dado lá no comecinho, quando eram pequenas? Será que esse gosto pelo rosa não está respondendo a uma expectativa que pais e adultos fazem dessas meninas?

JeongMe Yoon começou um outro projeto em paralelo, “The Color Project”, que conta, segundo seu site pessoal, com apenas duas fotos até o momento: uma menina e sua fascinação pelo amarelo; um menino em seu quarto todo vermelho, incluindo a decoração da parede e cortinas. Uau, pode-se pensar: trata-se de duas crianças que conseguem fugir à dualidade rosa-azul, escolhendo para si objetos não necessariamente “masculinos” ou “femininos”.

Pode até ser. Mas continua impressionando a acumulação intensa, o consumo aparentemente sem limites. No caso da menina, boa parte daquilo que ela exibe está relacionado ao Bob Esponja, cuja principal cor é amarelo. Então, qual seria a seria o mecanismo: ela gosta de amarelo porque gosta do Bob Esponja ou gosta do Bob Esponja porque ele é amarelo? Arrisco dizer, sabendo que posso estar enganada, que o gosto partiu do personagem de desenho animado. De maneira muito patente, é construída uma relação direta entre a cor e o personagem. E, outra hipótese: a menina quer adquirir alguns dos atributos do Bob, um pouco daquele jeito espalhafatoso e nonsense. Ela não terá dificuldade em encontrar mais e mais brinquedos, livros e toda uma série de cacarecos licenciados com o Bob — enquanto continue na moda. Mesmo outros personagens de desenhos animados tem a cor amarela: Piu-piu, Pokémon, os Simpsons, aqueles inúmeros serzinhos do filme Despicable me… Já no caso do menino, pode-se supor que sua paixão, sua mania, esteja relacionada ao universo dos bombeiros, como se vê na pintura da parede — profissão frequentemente associada ao gênero masculino.

Pronto, acredito que não preciso ir muito mais longe nessa reflexão. Eu poderia me estender ainda bastante sobre essas fotografias. A gente se preocupa em não dar ao Francisco essas escolhas limitadas, que o mercado ou a prateleira das lojas define. Que ele não precise demonstrar seus gostos, desejos e habilidades somente em função do que se espera de um menino. Que a sua identidade, sua personalidade e sua felicidade não dependam de um quarto atulhado de roupas e brinquedos.

Finalizo com um exemplo do que fizemos já na prática. Francisco ainda não tem um quarto para si, mas abrimos um cantinho para ele começar a engatinhar e brincar. Escolhemos um tapete que não remetesse a algo concreto (havia tapetes lindíssimos com mapas, selva, desenho de ruas, na seção infantil) ou que tivesse uma cor dominante. Esse tapete com estampas de botões nos pareceu abstrato o suficiente. Tem várias cores bonitas e bem marcantes. Ele gosta de passar a mão nos limites entre o branco e o colorido. A estampa lembra até aquele jogo com círculos e uma roleta, em que se coloca mãos e pés na cor que a roleta indica (não lembro o nome desse jogo, quem souber me diga!). E, mesmo parecendo um brinquedo, esse tapete não está à venda na seção para crianças… Em cima dele, colocamos uma coberta laranja e uma colcha de crochê que fiz durante a gravidez (farei um post sobre ela em breve), almofadas, brinquedos, bolinhas de meia.

tastrup-teppich-kurzflor__0185525_PE337535_S4Ainda volto a falar sobre o assunto no próximo post (e quem sabe ainda depois do próximo!). Por ora, fica o meu desejo que as crianças possam ter uma infância bem colorida — e não monocromática.

É MENINA OU MENINO?

— eis uma das perguntas mais frequentes quando se anuncia uma gravidez, quando se vai comprar roupas, brinquedos ou qualquer outro presente para um bebê.

Hoje em dia, com ultrassom, nem se discute: aos três meses, já se pode identificar o sexo do bebê. Nós somos aqueles 10% que não quiseram saber; que preferiram deixar para a hora do nascimento essa descoberta. A cada ultrassom, o Marco e eu fechávamos os olhos para não ver o pintinho ou a pererequinha. A esperta da ginecologista já sabia, mas guardou o segredo para nós.

Como a gente respondia aos outros: — não sabemos! — quando perguntavam sobre o sexo, vinham muitos palpites. Olhavam meu rosto, para ver se tinha mais espinhas, se estava bonita, se meu cabelo estava sedoso. Olhavam para a barriga, para ver se era pontuda ou redonda; se o quadril estava mais largo. Até cálculos com nossas datas de nascimento fizeram.

A maior parte desses palpites estava correta: era um menino, o Francisco, lá dentro da barriga. Algumas poucas pessoas diziam que era uma menina. De toda forma, para nós, isso era indiferente. Tanto faz se menina ou menino. Para nós, era bebê, filhote, criança, sem artigo para definir.

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— Indiferente, como assim tanto faz!? Mas como vocês vão comprar as roupinhas, os móveis, o carrinho, etc. etc. etc…

Aí aparece um dos principais argumentos para se saber o sexo do bebê: comprar coisas para ele. Nas lojas, tudo é repartido em duas seções, uma na qual predominam o rosa, lilás, o salmão, as estampas de oncinha e o preto (tendências modernas para meninas) e outra em que predominam os tons de azul e cinza, com super-heróis, caminhões e animais selvagens. Como se não existissem outras cores maravilhosas como amarelo, laranja, verde, marrom. Como se um menino não pudesse se vestir de rosa. Como se uma menina não pudesse usar uma camiseta de dinossauro.

Na prática, compramos muitas coisas neutras, mas também rosa e azul — um pouco de tudo.  Mesmo depois de ter nascido, quando precisamos comprar algo, não pensamos no azul; escolhemos algo simplesmente se nos agrada ou não. Por isso ele tem várias roupas coloridas. Recebeu roupas usadas de meninas — é claro que também ganha presentes “de menino”, um monte de roupas azuis, fazer o quê… No final das contas, qual o problema se o Francisco usar rosa, estampas florais, borboletas ou de coração? Essa discussão dá pano pra manga, um post só não dá conta, ainda falarei sobre isso.

Voltando à nossa experiência durante a gravidez, era interessante e gostoso viver com esse pequeno mistério. Não tínhamos expectativas ou imagens definidas de quem seria aquele bebê lá dentro. Sem nome, sem ultrassom 3D para ver como era o nariz ou a boca. Para nós, era bonito guardar em segredo a vida daquele bebê que se formava e crescia na escuridão e no calor. Como também deve ser bonito, para quem se dispõe a isso, criar a identidade do bebê, dar-lhe um nome, uma personalidade antes mesmo de nascer.

DESCIA A RUA

Paim e no meio das demolições todas descobriram uma igrejinha no fundo de uma casa, em estilo neogótico. Ela seria demolida também? Não pude saber. Só via subindo a rua uma procissão grande, com muitas crianças. Mais para baixo, outras crianças não participavam da procissão, mas jogavam bola. Parecia que quem acompanhava a procissão era rico, quem brincava de bola não.