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UM ANO ATRÁS, EM DEZEMBRO

estava rascunhando o relato de parto; o texto ia crescendo e ficou tão longo que o dividi em partes; elaborei uma série de posts; escolhi dia 21 de dezembro para começar a publicá-los no blog; reiniciaria, assim, a escrever nele, depois de um bom tempo parado.

O Francisco estava começando a se virar deitado; fazia uns sons gostosos, risadas e gritinho agudos; salivava muito; levava os dedos à boca, tanto os dele como os nossos; estranhava as pessoas; teve seu primeiro resfriadinho, que sarou com difusor de óleo essencial de eucalipto, peito, carinho e mais nada; dormia no meu colo enquanto eu fazia uma colcha de crochê ou lia algum livro; as cólicas dos três meses já tinham cessado; passamos pela consulta dos quatro meses, a partir da qual decidimos mudar de pediatra; pequeno, eu passeava com ele amarradinho no sling wrap, sentindo o corpo dele junto ao meu.

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Lá pelos dias de natal e ano novo, disse ao Marco: – preciso de ajuda; uma terapia, tratamento, alguma coisa. 2014 começou meio duro. Era como se eu tivesse perdido as chaves mas estava procurando no lugar errado; o mundo me parecia áspero demais… Meus pés doíam e a cabeça pesava. Precisava de alguma mudança.

Fui atrás. Encontrei livros e pessoas. Essas pessoas e livros me levaram a encontrar outras pessoas e outros livros. Sem elas, não sei o que teria sido deste ano. Sou muito grata pelos encontros e trocas, dentre as quais conto com a atividade do blog. Definitivamente, faz parte da minha terapia — um “cuidar de mim”, um meio de pensar o que vivo, de transmitir e receber coisas boas. Que bom.

AS CÓLICAS DE BEBÊ

surgem nos primeiros dias de vida e vão até aproximadamente três meses. Não são uma regra: há bebês sem esse tipo de problema.

A cólica não tem uma explicação aparente, precisa ou “científica” — ao que tudo indica, acontece somente em nossa cultura ocidental. Há quem compare à dor de parto — o que dá um aspecto interessante, ao meu ver. A criança, em sua transição para o nosso mundo, precisa aprender a digerir as impressões que recebe. E esse processo pode causar dor, incômodo e desconforto.

Muitas vezes essa cólica é percebida como um choro inconsolável, que acontece nos fins de tarde. Passado quase todo o dia, o bebê chega a um ponto de estresse difícil de acalmar.

Não era esse o caso do Francisco. Tivemos um outro quadro aqui em casa: pela manhã, lá pelas 7 horas, quando o Marco saía para trabalhar, o Francisco começava se contorcer e gemer. Eram chorinhos curtos, seguidos de um tempinho de calma. Depois de uma pausa, a cólica voltava. Isso continuava até que ele conseguisse fazer cocô.

De que maneira lidamos com essa cólica? Primeiro, decidimos colocá-lo ao nosso lado na cama. Ao manifestar desconforto, oferecia o peito. Sugando, muitos bebês se acalmam. Caso ele já estivesse satisfeito e não mamasse, colocava uma bolsinha de sementes quente. Sempre a deixava pronta toda manhã cedinho. Quando o Marco estava em casa, ele o pegava no colo, deitado com a barriguinha apoiada no antebraço. Aliás, essa era uma posição muito gostosa para carregar o Francisco nos primeiros meses, independente da cólica.

Também fazia shantala, caprichando nas perninhas. Eu as movimentava como se ele estivesse pedalando uma bicicleta. Controlei minha alimentação, evitando alimentos pesados. Tomava chá de erva-doce e camomila (não é aconselhável dar esses chás diretamente aos bebês, pois podem complicar ainda mais a digestão deles).

Por volta dos três meses, a cólica foi rareando, até desaparecer por completo. Nenhum remédio (por mais que palpitassem ao nosso redor), muito carinho, proximidade corporal, colo, peito e paciência — assim enfrentamos essa primeira etapa da assimilação e digestão da nova vida que estava começando.