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AS CHAVES PERDIDAS

é uma historinha com a qual me deparei faz uns meses; me tocou tanto que vira e mexe ela volta à mente. Começa mais ou menos assim:

Era de madrugada, num bairro calmo da cidade. Perto do poste de luz, um senhor está agachado, olhando o chão. Um policial se aproxima:

— Boa noite. O que o senhor está fazendo aqui a uma hora dessas?

— Boa noite, policial. Estou procurando minhas chaves.

Percebendo que não há chave nenhuma ali, o policial pergunta:

— Mas o senhor perdeu as chaves aqui?

— Não, não. Elas caíram no meio daquele arbusto, mas como ali está escuro demais para encontrá-las, achei melhor procurar mais perto da luz.

Às vezes procuramos as coisas onde elas não se encontram.

Adaptado de Comunicação não-violenta, de M. Rosenberg.

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O QUE É PASSEPARTOUT?

palavra do francês, usada tal qual também em inglês e em português. A grafia com o hífen, passe-partout, é mais comum, mas caiu na reforma do francês da década de 1990 (poucos a seguem). Composta do verbo “passar” e da palavra partout, “em todos os lugares, de todos os lados”.

Primeiramente, seria uma chave-mestra, que abre as várias portas de um mesmo edifício, por exemplo. Mas também: uma serra de lâmina longa, que deve ser manipulada por duas pessoas, uma de cada lado; o apoio de papel cartão, que fica entre uma gravura e a moldura; a máquina das embarcações para quebrar grandes geleiras; a peça que se adapta a diferentes calibres de seringas, de trilhos de trem.

Em sentido figurado, é aquilo que convém a toda e qualquer situação, que vai bem e agrada em todo tipo de contexto – assim como as palavras e tudo o que elas podem significar. Nelas muita coisa cabe.

O CANDIDATO A DEPUTADO

estadual tinha uma família simpática: a esposa, um filho, uma filha; talvez cachorro. Ele chamou a Karen e eu para conversarmos em seu apartamento. Não podíamos ficar muito, porque a gente tinha combinado de sair com a Maíra. Comemos hambúrguer, feito naquelas grelhas que deixam escorrer a gordura. A família nos acompanhou até a porta da rua. Lá o filho se mostrou um pouco rebelde, problemático demais – percebemos que havia algo de muito estranho na família. O menino pegava um molho de chaves e queria jogar para dentro de um carro.

Acordei com o celular, Maíra me chamando para sair. A Karen ligou o filho-problema-do-deputado ao filho do José Costa, personagem principal de Budapeste. Terminei de ver um filme e só pude voltar a dormir.