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CHEGOU UM DIA

de arrumar tudo: então abrimos os armários, separamos livros, trocamos de lugar algumas coisas na casa. Na bagunça, os vinis iam sozinhos para o toca-discos, a música começava – um susto! Tudo bem, os discos de vinil são assim mesmo, sabem tocar sozinhos. Fui lavar as mãos e a torneira era ao mesmo tempo uma cafeteira e uma máquina de costura. Só era preciso ter cuidado para não levar uma agulhada.

Bem que essa poderia ser a casa de Zazie, pensei eu.
Ou o apartamento de “Vinil verde“.

OS POST-ITS

eram uma coisa meio supérflua: para que colar papel em cima de outro papel? Por que não escrever logo – sublinhar e marcar diretamente com lápis ou caneta – o que quer que seja?

Já faz um tempo meu hábito de leitura mudou: post-its se acumulam entre as páginas de alguns livros; marcadores coloridos me fazem lembrar como eu li. E em conjunto, deixam bem claro, no livro fechado, que ele será relido.

(dedicado ao Cícero)

OS TRÊS REIS MAGOS

eram personagens estranhos: como eram magos se na religião não podia haver magia?

Ficavam mais longe que as vaquinhas, o boi, José e Maria, e o pastorzinho com uma ovelha, no presépio, olhando de canto a movimentação de dezembro. A partir do natal, iam chegando cada dia mais perto da manjedoura. Dia 6 de janeiro chegavam, mas já era hora de recolher todas as pecinhas e encaixotar a decoração, pra tudo recomeçar lá no final do ano.

ERA UM CARRO

de modelo novo, fabricado por um grupo de estudantes de engenharia veganos. Eles me oferecem um, para testar; digo que não sou vegana; eles querem justamente conquistar outros públicos. Aceito dirigir o carro, de cor marrom, meio jipe, meio lada. Coloco na minha vaga do prédio, os vizinhos estranham o visual. Pergunto aos moços veganos como foi fabricado, que combustível aceita.  Só sabem dizer o preço: muito mais caro do que eu imaginava.

Então vamos todos a uma lanchonete vegana na rua da Consolação, as comidinhas são muito boas. Os veganos concordam que é melhor não ter carro por enquanto.

ERA UMA AMIGA

que reunia todas as amigas, as mais próximas e distantes. Ela marcou de se encontrar comigo numa feira de roupas, calçados, bolsas. Chegando lá eu vejo que ela tinha uma banca; estava vendendo coisas suas: não coisas que ela tinha fabricado, mas presentes de ex-namorados.

Vejo uma bolsa linda, meio roxa, meio azul, sem cor definida. Fico sem graça de comprar algo que ela ganhou de presente. Dentro da bolsa, cartas, bilhetinhos, recortes de jornal que o cara tinha dado a ela – que não se lembrava mais de nada sobre ele, tanto tempo já fazia… Os papéis todos caem no chão.

DURANTE O SONHO

eu já comecei a pensar que eu podia escrever sobre ele no blog.

Seguindo uma coisa que o Luís tinha começado a fazer na casa dele (ele estava colocando fotos malucas nos perfis de orkut e facebook dele, que não existem), eu queria fazer fotos dos objetos que eu tenho, dos bonequinhos, elefantes, bichinhos, dos bibelôs. Tudo era super colorido. Mas ao contrário do que eu tenho realmente, eu tinha muitos bonecos de figuras humanas: jogadores de futebol, integrantes de uma banda de rock de sucesso que eu nunca tinha ouvido falar, um caminhoneiro, uma moça do nordeste em cima de um jegue. Era tudo realmente colorido mas chegou a me confundir. Eu comecei a tirar algumas fotos, mas fui interrompida por uma pessoa de uma comunidade negra. Ela acompanhava um grupo de turistas africanos lusófonos. Parecia que estávamos na frente da confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro – isso porque ontem eu li o post em que eu falava dela.

Na frente da confeitaria tinha uma sala de cinema antigo, era ao mesmo tempo como se fosse o espaço unibanco daqui da Augusta, três salas com os pôsteres na entrada. Eu queria muito assistir um filme, era quinta e a sexta-feira chegou logo de cara e eu perdi os filmes.

Na sexta, só tinha filme chato em cartaz: algo como um “Halloween 4 – as caveiras pedem fogo”, o cinema cheio de góticos e sósias do Marilyn Manson, gente com unhas compridas e sobretudos pretos. Achei uma chatice.

Resolvi virar uma assombração do cinema. Comecei a voar como um fantasma, com um lençol branco transparente, para assustar. Vi chocolates na bombonière, entrei no banheiro. Depois fiquei me virando de cabeça para baixo e as pernas para o alto de uma fileira para outra, dando risadas bem alto, daquelas do “Thriller”. Talvez as pessoas só tenham pensado que aquilo fazia parte da divulgação do filme.

ACABOU DE SAIR ESSA SEMANA

a lista dos dez ganhadores do prêmio Landfill, que escolhe as invenções tecnológicas mais inúteis do planeta: aquelas que não valem o uso de recursos naturais, os combustíveis empregados para a fabricação. Os criadores do prêmio, especialistas no assunto, querem mostrar que há muita coisa desnecessária, muitos gadgets ridículos que só poluem o mundo.

Pois então, é legal ver que o ganhador é um cone de sorverte movido a pilha, que gira sozinho, evitando o desperdício de sorvete. Já está esgotado o produto, não adianta querer comprar.
Além disso, tem coisas como:

– uma capa de assento de avião personalizada, para evitar de se contaminar com os micróbios dos passageiros anteriores; “plane sheets” me fez lembrar de “The Italian man who went to Malta”, que coloco aqui para quem ainda não viu;

– um camaleão com entrada usb que não muda de cor;
– um garfo motorizado para girar o espaguete, só que ele é mais lento que a força humana; quem sabe se fosse uma colher motorizada… ahah;
– um navegador gps para o banco do passageiro, para que a sogra pare de encher o saco dizendo qual caminho é melhor seguir – isso é realmente um argumento no site que vende o produto!

No entanto, há também Wii Fit, no sexto lugar e Guitar hero, no sétimo.
Ora essas… colocaram na lista duas coisinhas que gosto tanto. Wii Fit é meu sonho medíocre de consumo, e Rock Band, variação de Guitar hero, é a coisa mais legal de se fazer na casa da Karen. Eles argumentam que para se exercitar, basta sair na rua e para tocar rock, existem os instrumentos de verdade. Se fosse assim, quantas coisinhas simulam outras “coisas de verdade” teriam que entrar na lista também, hein?