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O QUE LER DURANTE A GRAVIDEZ?

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Fiquei pensando nessa pergunta logo ao receber a notícia de que uma amiga está grávida. Dei os parabéns e já em seguida passei umas dicas de livro — e olha que ela nem pediu, imagine se tivesse pedido… Os dois primeiros livros que indiquei a ela foram:

  • Parto ativo, de Janet Balaskas
  • A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman

Assim, a pessoa teria valiosas informações sobre a parte corporal da gestação, com exercícios e posições para o parto, com o primeiro livro; e equilibraria com uma análise mais psicológica de seu futuro papel de mãe, com o segundo — ao meu ver, um complementa o outro. Ambos são livros para se ler mais de uma vez, para ter sempre à mão quando bate uma dúvida. Tendo mais tempo e interesse, é bom ir atrás de:

  • Shantala e Birth without violence [Pour une naissance sans violence], de Frédérick Leboyer
  • Quando o corpo consente [À corps consentant], de Marie Bertherat e Thérèse Bertherat
  • O poder do discurso materno, de Laura Gutman

Sobre cada um deles, pretendo escrever um post futuramente. E a lista poderia se estender mais… Eu fiz para mim uma lista mais longa que essa para ler durante a gravidez, que não cumpri. São leituras em curso ou que ficarão mais para frente, seguramente:

  • Bésame mucho, de Carlos González
  • Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pínkola Estés
  • Um amor conquistado: o mito do amor materno, de Elisabeth Badinter
  • Le bébé est un mammifère, de Michel Odent

Quem se depara com os títulos acima pode se perguntar: — e meu orçamento pra livros? não dou conta de comprá-los todos!

Uma ideia é pedir alguns dos livros no chá de bebê; alguns deles eu ganhei de amigos. Além disso, pesquisando na internet, é possível encontrar bons trechos dos livros, que ativistas muito atenciosas traduzem e  compartilham — e até mesmo os livros integrais em pdf, sim! É questão de ir farejando… Com o tempo, a mãe leitora vai perceber que um livro leva a outro, que um autor cita outros e, quando menos percebe, estará criando a sua própria biblioteca temática!
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ERA UMA VEZ

uma menina que escrevia; ela passava o dia todo pensando nas histórias que ia contar aos amigos: os passeios, os sonhos que ela teve com eles, com personagens de outras histórias, com diretores dos filmes que iam ver no cinema, matando aula; juntava desenhos que encontrava por aí, fotos e cartões postais perdidos no meio dos livros que ela espanava nas estantes; salvava imagens de sites perdidos na internet.

Ela tinha um jeito de escrever que não existe mais – diz um leitor, que sabe de cor um texto dessa menina, que ela mesma desconhece; texto lindo esse, que ele não consegue mais encontrar em lugar nenhum.

ME AGRADAVA REPETIR

coisas pequenas no dia a dia: sentar-me sempre no mesmo lugar da mesa para comer, usar a mesma colher para mexer o chá mate, comer o mesmo lanche no recreio, no mesmo lugar do pátio; manter fixas na semana as datas de devolução dos livros na biblioteca; numa mesma ordem pentear o cabelo, escovar os dentes  e tomar banho; organizar na mochila os livros e cadernos para cima, os livros atrás, cadernos à frente; as cores os lápis e canetas no estojo; tomar o metrô no mesmo vagão, escolher, se livre, o mesmo banco.

Ainda continuam certas coisas assim, que percebo se elas mudaram de lugar.

ALGUNS CHEIROS

da pele da minha mãe, de creme talvez, mas que ficava bem só nela, eu procurava o braço dela quando menos esperava; do corredor do apartamento na Barão de Tatuí, que eu acreditava vir do lustre, de vidro fosco e contorno verde-água; dos biscoitos dentro da lata marrom, com flores amarelas; dos ares dos lugares: cada lugar, um cheiro diferente; o cheiro de bicho (um mamífero, sabe-se lá qual) nadando num rio; de funghi, que a moça da zona cerealista acha nojento; cheiro de chuva; cheiros dos livros novos no começo do ano; da fita 3M para os livros da biblioteca; de vinil novo, no plástico.

A MOÇA PARECIDA

com a Ellen Page apareceu num sonho. Ela organizava uma campanha na escola, para ajudar a reorganizar o acervo da biblioteca. Decidiu com uns colegas realizar um grande evento e arrecadar dinheiro. Eu estava lá no dia, com minhas amigas bibliotecárias. Ellen Page conseguiu convidar a Gisele Bündchen que, descobríamos quando ela chegou à escola, tinha estudado biblioteconomia em paralelo à carreira de modelo.

PODIA SER OUTUBRO

e eu planejava mudar de direção, fazer algo diferente das revisões que eu fazia. Queria entrar mais no mercado editorial, desenhar, diagramar. Resolvi dedicar um pouco do dinheiro que juntava pra essa mudança de rumos. Duas opções: comprar um computador novo ou fazer cursos de programas de design. Escolhi a segunda opção, para encher o currículo. Peguei uma escola de informática razoável, cursos intensivos em dezembro e janeiro. No fim das contas: começo do ano seguinte, eu tinha largado o estágio de revisão, cancelei o curso, peguei meus cheques de volta. Comecei a trabalhar na biblioteca, o que deu no que deu hoje.

E por que cancelei o curso? Fiquei pensando, hoje de manhã, que eu talvez tivesse pouca simpatia pela interface dos programas, a carinha dos ícones das ferramentas de vetores, coisas assim (se os cursos fossem no mac, penso agora, poderia ter sido mais facilmente seduzida).

FOLHEANDO UM LIVRO

percebi aquele alarme metálico que todos os livros das livrarias têm, um pouco diferentes dos alarmes magnéticos das bibliotecas – e semelhante aos alarmes de qualquer outro produto, da farmácia, da loja de departamentos, disfarçado de código de barras. Um elemento que não deve ser percebido, discreto, da cor do papel, ou no fim do livro ou colado entre as mesmas páginas em todo o acervo. Inativo quando o livro é nosso, se substitui à propriedade. Intermitente, o da biblioteca.

A imagem que me veio é a desses inúmeros campos magnéticos silenciosos, que não sabemos ao certo se estão dormindo somente, se ainda há neles uma força que os faz agir em meio às palavras do livro, aos princípios ativos do desodorante. Magnéticos como os dados que guardamos nos discos – e que se apagam com o tempo, sem garantia, sem razão.

Parece a minha inquietação com o ar que eu respirava dentro das catedrais francesas – ar com poderes.