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AS UNHAS DAS MÃOS

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normalmente são assim, cortadas bastante rente. Durante muito tempo, considerava que tinha unhas fracas. Elas não cresciam o bastante. Quando estavam já um pouco longas, quebravam. Eram muito finas, assim como as cutículas. Por isso, sempre nutri aversão por manicures. Com uns quinze anos, fiz mãos e pés num salão de beleza. Saí de lá com os dedos doendo, por conta das cutículas retiradas. Em alguns dedos saía um pouco de sangue.

Mesmo sem ir a manicure, tive fases em que pintava as unhas, em casa, sozinha, poucas vezes com ajuda de mais alguém. O ex uma vez pintou umas bolinhas vermelhas. Ainda assim, elas continuavam curtinhas e mexia o mínimo nas cutículas. Dá pra ver um exemplo da minha unha esmaltada segurando um pedaço de pão — uma das últimas vezes que pintei a unha, com esmalte opaco.

Ano passado, uma das unhas ficou bem fraca. Talvez fosse sinal de falta de vitaminas, devido a gravidez e a amamentação. Fui ao médico — ele viu que estava com vitamina D, B12 e ferro baixos. Melhorou muito agora.

Então venho tentando deixar as unhas longas. Só que elas chegam num comprimento que me incomodam. Eu me arranho sem querer. Aí só me resta cortá-las, como hoje, nessa foto. E esperar, daqui algumas semanas, para ver se aceito melhor minhas garras mais longas.

EU QUERO AMAMENTAR

é o título de um rascunho de post que ficou engavetado por bastante tempo; é um daqueles textos que não se preenchem. Ficam apenas palavras-chave e pedaços de frase pendentes, balançando ao vento.

Pois bem. Eu na época também escrevi outro post sob a mesma forma, em tom de pergunta — “você quer um parto normal?” Nele, eu contava o que fiz para consegui-lo: me informei, aprendi muitas coisas e procurei uma casa de parto. Cada mulher tem a sua busca pessoal. Infelizmente, compreendo que as coisas muitas vezes fogem à nossa vontade. Tem momentos em que querer não basta. Por isso até finalizo com o caso de Adelir, submetida a uma cesárea indesejada — assim como acontece, lamentavelmente, com muitas mulheres. Há iniciativas para mudar esse panorama (aqui e aqui).

Algo semelhante acontece com a amamentação. Falta apoio e informação à mulher que deseja amamentar. As mamadeiras e chupetas mostram-se mais práticas, garantem mais independência, mais controle sob o peso, etc. etc. Expor o peito em público é um tabu. Enfim, a lista dos contras é longa.

Ocorreu a semana do aleitamento materno, no começo de agosto. No momento circularam muitos textos. Esse aqui é um dos melhores, porque expõe claramente que não é nada fácil superar os obstáculos ao redor — e dentro de nós mesmas.

Já são dois anos que dou de mamar. Vivo momentos lindos, junto com o Francisco. Nada se compara a essa conexão que mantemos, ele e eu. Vai além do alimentar. É uma nutrição integral. Imagino, obviamente, que mães que não amamentaram criam elos emocionais com os filhos de outras maneiras.

Ainda sobre o texto da Letícia Penteado, reconheci ali um pouco dessa tensão, temporária, ao dar de mamar. Para mim, acontece mais no período pré-menstrual, já conhecidamente cheio de instabilidades emocionais. Aproveito para rever minhas posições. E também para ir criando outros laços com o Francisco. Penso num desmame bem lento, gradual. Por isso, tento restringir o que antes era livre demanda. Fora de casa, por exemplo, não dou mais o peito. Se ele precisa de consolo e amparo meu, encontramos outra forma. Ele tem entendido bem, por mais que não seja fácil. São os nossos desafios dessa fase.

Parece que vislumbramos algo de novo à frente. Francisco sabe que está virando um menino. Vê outros bebês menores, crianças maiores. A gente vai tentando se encontrar, descobrir-se em meio ao mundo. E assim vai…

A SOLIDÃO

é tema recorrente das conversas de mãe. Muita coisa muda depois da gravidez e do nascimento da cria. Uma delas é a relação com o mundo e as pessoas ao redor.

Nos primeiros meses, a tranquilidade é fundamental, para viver uma boa lua de leite, descobrir os pequenos detalhes do bebê, reconhecer seus sinais, falar com ele — e sobretudo descansar.  O pós-parto é um momento de transformação imensa; por isso, melhor fugir de quem dá palpites demais e acaba interferindo na relação entre mãe e bebê.

Aqui, me concentrei a fundo na vida de mãe — coisa que contei no nesse post . O resultado, ao longo dos meses, é um dia a dia bem isolado. Saímos para brincar no parquinho, andar por aí, ir ao correio, fazer compras. Tudo isso com uma certa flexibilidade de horários, muitas vezes sem pressa.

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Mas o tempo passa — rápido, num piscar de olhos — e me vejo num momento de transição. O Francisco quer sair de casa. Sua vontade faz bem não somente a ele, que quer ver o mundo, conhecer outras crianças, descobrir os parquinhos, com seus escorregadores, gira-giras e balanças; quer pegar ônibus, bonde, trem; escolhe os caminhos pela rua, se vamos à esquerda, direita, em frente. Faz bem a mim também. Me faz reatar os laços com o mundo, me dá a possibilidade de assistir a novos começos.

A rotina em casa mudou? Muito! Antes, eu tinha tempo para fazer um café da manhã em casa, todo balanceado, preparar o almoço. Fazia massagem no Francisco, a gente tomava banho… enfim, era tudo diverso dos últimos dias. São fases, elas vem e se vão. Que eu possa sempre estar atenta às mudanças, reinventar o cotidiano e me alegrar com as experiências que se acumulam na lembrança.

POR QUE PALPITES ALHEIOS INCOMODAM TANTO?

foi mais ou menos essa a pergunta que surgiu durante a leitura desse post aqui. Na verdade, já faz um tempo que venho me questionando a esse respeito. Desde a gravidez e principalmente depois do nascimento do Francisco, já ouvi muitos comentários, de todo tipo, desaprovando minhas escolhas. Lendo e acompanhando outras mães com interesses semelhantes, percebo o mesmo tipo de situação. Muitos dos relatos são desabafos, reclamações, pedidos de ajuda.

E foi justamente num deles que acabei redigindo essa resposta. Eu já pensava em escrever um post sobre isso. Assim, o que comentei serviu de base para o relato abaixo.

Eu tentava, no começo, argumentar seriamente com as pessoas que me desestimulavam a parir de maneira natural, amamentar em livre demanda e a longo prazo, carregar no sling, fazer cama compartilhada, seguir o BLW, dar uma alimentação vegetal e equilibrada. Mas depois percebi que poucas delas queriam realmente me ouvir. Mais ou menos nessa época, o Francisco estava com uns seis meses, descobri a “comunicação não-violenta”. Estou longe de ser uma especialista no assunto, mas me interessou muito dois pontos que o livro de Marshall Rosenberg levanta: — diminuir as expectativas em relação aos outros; — não devemos agradar a ninguém mais que nós mesmos. Um ponto está relacionado ao outro.

Olhando para a minha história pessoal, muitas vezes tentei agradar o mundo: sendo uma aluna boa na escola, por exemplo (isso ecoou muito durante a leitura de “Você é minha mãe?”, da Alison Bechdel). Como mãe, também faço o melhor de mim. Mas, ao contrário da aluna com notas altas, as coisas que eu faço causam desaprovação. Isso me frustra e eu fico com raiva desse pessoal que não concorda com as minhas escolhas.

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Um dos passos, então, foi exigir menos do mundo. Ser menos exigente com a pediatra, por exemplo. Abandoná-la e procurar outro foi a melhor saída. Exigir menos de quem não quer se informar. Eu quero me informar, mas não posso pedir isso da cunhada. Se ela quer dar açúcar pra sobrinha, que eu posso fazer? Sofro por dentro pela menina, mas devo respeitar e tolerar a escolha alheia — assim como quero que me respeitem como mãe.

Uma amiga começou a circular o meme “cara de alface”. Let it be. Um comportamento meio budista. Não posso fazer nada pra mudar o mundo. Posso sim cuidar do meu filho. O que os outros pensam a respeito não é responsabilidade minha. Reclamar e criticar estava me distraindo do meu objetivo principal, eu estava perdendo energia e, pior, afetando minha saúde. Imagine se essa minha implicância começasse a prejudicar a saúde do Francisco? Não seriam as cólicas dos três meses uma demonstração de que temos dificuldade para digerir as impressões que recebemos de fora?

Ainda estou longe do que eu gostaria, ainda me irrito vez ou outra quando alguém vem me provocar. Mas aí eu lembro um pouquinho daquela frase do padre nosso “perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”. Olho pro francisco, vejo como ele está bem e feliz, dou umas risadas e vou levando a vida.

Temos nossas fases e o combate tem sua razão de ser. Bom também é enfrentarmos os defeitos das nossas próprias escolhas. E ver que as pessoas falam nem sempre por maldade mas por falta de conhecimento…

Epílogo: dias depois de ter escrito isso, saiu esse post no cientista que virou mãe. E achei interessante como contraponto. Porque há a irritação com os palpites alheios — mas vivemos também o desgaste comum da vida de mãe, que busca quem a escute, compreenda e acolha.

VOCÊ É MINHA MÃE?, DE ALISON BECHDEL

é uma graphic novel autobiográfica, da qual tinha ouvido alguns bons comentários — sabia que era uma espécie de sequência ou lado b de Fun home.

Na verdade, Fun home se concentra sobre a figura do pai de Alison, falecido, provavelmente teria se jogado na frente de um caminhão, na beira da estrada. Teria ele cometido suicídio por não conseguir assumir sua homossexualidade? — essa é uma das perguntas que Alison, assumidamente lésbica, lança em sua narrativa. Já Você é minha mãe? se concentra na figura materna, principalmente ao longo do processo de criação da HQ sobre seu marido. De toda forma, minha intenção não é resumir as intrigas dos dois livros, mas apenas assinalar que as duas leituras se complementam e ajudam a entender uma a outra. É até interessante perceber os tons de cores usados: Fun home é colorido de azul, enquanto que Você é minha mãe? tem tons de vermelho e rosa — o que faz pensar na polaridade rosa e azul, para distinguir os sexos feminino e masculino. Não sei se foi intencional da parte da autora…

Comprei Você é minha mãe? no natal de 2013 e fui lendo no começo do ano seguinte. Junto com outros livros, a história de Alison me tocou e ajudou a rever melhor a minha própria.

A narrativa é muito intrincada, repleta de idas e vindas no tempo, referências literárias e psicanalíticas. Acompanhar o fio do raciocínio de Alison é como tentar refazer um novelo de lã cheio de nós e remendos. O livro está divido em capítulos: cada um inicia com um sonho de Alison — e o que se segue é uma tentativa de interpretação, recorrendo às sessões de terapia, conversas com a mãe, suas namoradas e sobretudo suas lembranças da infância.

Uma delas me chamou a atenção:

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Não tenho nenhuma lembrança parecida, mas essa polaridade entre corpo e mente que Alison viveu me soou muito familiar. Aquela célebre frase do Pequeno príncipe — “o essencial é invisível aos olhos” — era um tipo de lema. O corpo, esquecido, carregava o peso de uma mente que se enchia de conhecimento. Só agora, tantos anos depois, reconheço esse desequilíbrio, que venho tentando consertar. “Eu” deixei um pedaço de mim esquecido, de lado. Uma hora ou outra é necessário recuperar o que ficou na sombra.

E por falar em sombra, a leitura da Alison ecoa muitas coisas dos livros de Laura Gutman, por mais que os temas pareçam, à primeira vista, distantes. Há muitos pontos de intersecção. Um deles é Winicott, uma das leituras principais de Alison durante seu tratamento psicanalítico. E, mesmo sem o citar, Winicott é também uma das fontes do trabalho de Gutman.

Pela mesma razão, é possível fazer uma leitura num duplo ponto de vista: acompanhando Alison e sua busca autobiográfica, revendo momentos da infância — e também dando atenção à sua mãe e suas dificuldades na criação de sua primeira filha.

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As barreiras sociais, palpites e regras dificultaram a maternagem que Alison recebeu. Tudo isso é tratado de maneira muito delicada e respeitosa. Alison mantém contato com a mãe, expõe seu trabalho e espera dela sua opinião, um retorno. Observar essa relação também me fez pensar muito em mim mesma — tanto na filha como na mãe que eu sou.

OS PRIMEIROS DIAS DO PÓS-PARTO

são muito importantes; é o começo da vida do bebê fora da barriga. Tudo muda no cotidiano da família — uma nova pessoa chega em casa! Uma pessoa que precisa de cuidado intensivo, que se comunica numa linguagem diferente da nossa, que até pouco tempo atrás vivia num ambiente quentinho, escuro, sem respirar e sem ter fome… (sobre essa transição que é o nascimento, recomendo ler Shantala, de Frédérick Leboyer).

O que precisa essa “pessoa pequena” (eu chamava o Francisco assim no comecinho)? Contato com o corpo da mãe e do pai. Peito e de colo.

Não é por acaso que chamam esse momento de lua de leite — linda essa expressão. Ela sinaliza também que a mãe e x bebê precisam de isolamento, um ambiente calmo e de gente de confiança ao redor para dar conta das atividades domésticas.

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Aqui, a sogra ajudou cozinhando todas as refeições para nós. Outras pessoas da família faziam compras e outras pequenas tarefas. O Marco, mesmo indo trabalhar, também fez muito. Eu levei a sério a dica de dormir e descansar sempre que possível. E recebemos poucas visitas. Assim eu poderia ficar bem à vontade, com os peitos de fora (coisa importantíssima nesses primeiros dias de amamentação), sem me preocupar com compromissos, relógios, hora marcada.

Em A maternidade e o encontro com a própria sombra, Laura Gutman ressalta como o pós-parto é o momento em que a mãe deve conectar-se com x bebê e consigo mesma — e para isso é preciso deixar de lado o mundo, o tempo, xs outrxs. A mulher tem a oportunidade de se redescobrir, assumindo seu novo papel no mundo: mãe e nutriz.

Depois que voltamos da casa de parto, fiquei uns dias dentro de casa. Não saí para nada. Talvez só depois de uma semana fui dar uma volta no quarteirão com o Francisco no sling. Que delícia era aquela sensação de caminhar com o corpinho dele junto ao meu! Era semelhante ao estado da gravidez, o meu corpo carregando outro. Fizemos duas visitas-relâmpago a uns amigos e aos avós. Preferia não me afastar de casa, onde me sentia segura para dar de mamar e descansar.

Em suma, passamos os primeiros dias do pós-parto bem recolhidos e concentrados. Mesmo assim, lembro o quanto as horas passavam voando — e o quanto foi valioso o silêncio e o repouso para acolher o Francisco na nossa vida.

“EU NÃO TINHA PACIÊNCIA COM ESSA HISTÓRIA DE ENXOVAL”

— foi o que eu disse a uma pessoa que me escreveu perguntando sobre o que comprar para seu bebê, que chegará daqui uns meses; o que segue abaixo é a mensagem que escrevi a ela, com algumas alterações.

Não dei muito bola para as compras — preferia ler, descansar, me exercitar… Recebemos roupas seminovas e ganhamos muitos presentes. Mas nos primeiros dias de vida do Francisco me vi sem roupas suficientes! A sogra foi correndo numa loja e me ajudou com uns pijamas.

Os bebês crescem muito nos primeiros meses. Logo, perdem roupa bem rápido. Ao mesmo tempo, precisam de bastante roupa, porque vomitam, o xixi e cocô vazam, suam. Nós lavamos roupa do Francisco todo dia. Compensa; assim o que suja num dia está seco no dia seguinte.

Outro detalhe: o padrão de tamanho varia incrivelmente — assim como paras roupas de adultos. Acontece de o bebê ter 4 meses e vestir tamanho 6-9 meses, porque cresceu mais rapidinho. Depende se x filhote é magrx ou gordinhx. O Francisco é alto e magro, tantas roupas ficam largas nele!

Parece piada mas a realidade é mais ou menos essa:

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(fonte: Memezinho da mamãe)

De toda forma, fiz uma lista do que me parece mais importante:

— O principal item é body; usamos sempre. Até hoje o Francisco suja uns 4 bodies por dia, de comida, xixi ou suor.

(Quatro, aliás, é um bom número para estimar uma média de roupa necessária para um dia. Há dias em que se suja mais, em outros menos.)

— Pijamas-macacões de uma peça só; eu os achava mais práticos nos primeiros três meses, porque era difícil trocar o Francisco, pequeno e molinho. Ele ficava praticemente o dia todo de macacão, até porque dormia muito. Logo, tínhamos vários deles.

— Camisetas, calças, bermudas. Em mais quantidade a partir de 3 meses.

— Casaquinhos: acho bons os que vem com capuz, porque protegem o pescoço e podem servir de gorro.

— Meias e aqueles sapatinhos de lã (até hoje o Francisco não precisou de sapato de verdade, já que ainda não anda).

— Meia-calça: uns dois pares, para os dias mais frios.

— Gorrinho e chapéu de sol; importante proteger sempre a cabeça, com frio ou calor. Dois de cada basta.

— Manta pra dormir, brincar em cima e passear. Não mais do que três.

— Fralda de pano/ pano de boca, para as gorfadas, babadas e pra segurar o leite que sai do seio! Diria que uma dúzia de paninhos dá conta do recado.

— E por falar em leite do peito, uso sempre um protetor no sutiã; mas de pano, não os descartáveis, que grudam no mamilo. Aconselho uns quatro pares, porque no começo vaza muito leite. Não uso sutiã de amamentação; uso sutiã normal e sempre alguma roupa com botões na frente, que eu consiga abrir pra dar de mamar.

Eu poderia fazer uma lista mais detalhada, mas acima de tudo você e seu/sua parceirx vão sentir a necessidade no dia a dia. Importante é garantir o primeiro mês. Ainda assim vai acontecer de você colocar uma roupa super larga (por falta de menor) e perder roupas sem nuncar ter usado — faz parte.

Amo esse texto, concordo com praticamente tudo. E aqui também tem dicas boas. O assunto vai render um outro post meu, em breve!