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DIA 20 DE MARÇO

é um daqueles dias que eu gosto, porque é equinócio, mudança de estação (chega o outono no hemisfério sul, primavera no norte).

Ano passado, foi o dia que escolhi para começar meu diário de gravidez. Já tinha mais de três meses de gestação, estava enrolando um pouquinho para dar partida no diário. Aí veio a calhar o 20 de março.

Comprei um caderno de capa dura, médio, umas 150 páginas, brancas, sem pauta. Não há desenho na capa, que eu planejava decorar com recortes.

Há pessoas que fazem diários com folhas soltas, fichários, calendários ou agendas. Eu sempre fui fã de cadernos, mas já usei agenda como diário também. Tem um calendário pendurado na cozinha que serve de micro-diário, onde anotamos coisas rápidas do dia-a-dia. Aliás, sou uma “diarista” desde pequena; comecei meu primeiro diário aos 9 anos. No mestrado, acabei estudando um pouco sobre diários, mesmo que esse não tenha sido o tema central da pesquisa. Um dos artigos mais lindos que escrevi trata do diário de Helena Morley.

Voltando ao diário de gravidez, decidi pelo seguinte formato: escrevi nas páginas da direita. Na esquerda, colei fotos com a evolução da barriga, entradas de cinema ou concertos que fomos assistir, bilhetes de viagens, capas dos CDs que ouvíamos… até fotos das manifestações de junho entraram. Assim, o diário é metade escrito, metade ilustrado. A cada dia escrevia com uma cor diferente: azul, verde, laranja, marrom… como amo escrever à mão!

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Pode-se escrever um diário para si ou, como nesse caso, para uma outra pessoa. O diário que fiz é para o Francisco ler no futuro. Penso em presentear-lho quando fizer 14 anos. Até lá, fica guardado.

Parei de escrever um dia antes que ele nascesse! Desde então, está em repouso. Ainda penso em continuar, sobraram páginas em branco em quantidade para ir narrando seus primeiros anos conosco. Uma ideia é incorporar meus posts do blog: imprimir e colar; as fotos do instagram também. Quem sabe…

TENHO AGENDAS

desde uns 9 anos de idade. Anotava as coisas mais miúdas do dia: a rotina da escola, devolução de livros na biblioteca, colava recortes de jornal, figuras de revista. Também deixava recados para mim no futuro; em fevereiro, pegava uma página de outubro e deixava alguma pergunta enigmática.

Ontem num caderno, li algo como: “Ana, você não vai viver esse momento duas vezes”. Deve ter sido coisa que ouvi de alguém, não sei quem mais; nem que momento seria esse. De toda forma continua sendo verdade.

PARECE QUE DO NADA

uma vontade vem: de sair da mesa, pegar um livro. Tinha uma desculpa para isso: estava com uma dor nas costas.
E o livro parece muito mais convidativo. Lê-lo na cama, sem interrupção, até o fim. Por mais que haja a obrigação, a prioridade, dá muito gosto o desvio. Ou melhor, a bifurcação mesmo. O fato de haver as duas possibilidades: o sim e o não.
As coisas todas na agenda esperam o seu tempo.

FRAGMENTO

de uma página da agenda de 2008, 6 de fevereiro:

les revues étalées

imaginez que vous êtes dans un kioske à journaux, vous regardez les couvertures;

quelles idées elles vous transmettent : type, public, fréquence

[As revistas espalhadas, imagine que você está numa banca de jornais, você olha as capas; que ideias elas transmitem: tipo, público, frequência.]

Pensei em mil coisas (uma reportagem com meu vô na gazeta de Pinheiros, foto da minha mãe numa banca, um desenho de Sempé…) antes de me dar conta de que isso era muito provavelmente um pedaço de atividade para a aula de francês, que eu só vislumbrei mas não coloquei em prática.