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EU TINHA CABELOS GRISALHOS

num sonho desses últimos dias. Muito acinzentados, com alguns fios brancos. Bonitos, com um corte assimétrico, do jeito que eu gosto. Estavam volumosos também. Eu me sentia bem e feliz.

Basicamente era um sonho comigo velha.

Normalmente a velhice, sobretudo a feminina, é encarada como negativa. É algo a se evitar, lamentar. Esconde-se as marcas do tempo. É deselegante revelar a idade de uma senhora. Os cabelos brancos assustam e são coloridos com tintura.

Faz uns anos que me apareceram uns fios brancos. Nada fiz. Eles estão aí, ainda difíceis de ver entre o cabelo mais escuro. Aos poucos vão chegando outros. Minha intenção é mantê-los, sem tingir. Mas vai saber se mudo de ideia…

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Gosto da ideia de envelhecer — acumular tempo e experiências, sentir as mudanças, reconhecer as repetições. Deixar de lado o passado quando estiver obstruindo a estrada. Caminhar de braços dados pela calçada, devagarinho, com paciência. Agradecer ao corpo, as linhas das mãos, a sola dos pés, as pálpebras… o dentro e o fora em seu contínuo movimento.

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ESCREVER SONHOS

tornou-se um hábito logo nos primeiros meses de escrita no blog. Antes, que eu me lembre, talvez não fossem assunto tão recorrente dos meus diários e agendas. O interessante era contar aos amigos os sonhos que tive com eles. Tinha também sonhos com cenas de cinema, com o Almodóvar cortando meu cabelo, por exemplo, que também era engraçado passar adiante.

Fui muito inspirada pelo filme “Waking life”. Amava escutar a trilha sonora, da Tosca Tango Orchestra, enquanto estudava ou preparava aulas.

O cartunista francês David B. me influenciava também. Seu livro “Le cheval blême” era uma seleta de pesadelos que eu li repetidas vezes.

Tinha uma fascinação pelos surrealistas: Breton, Éluard, Aragon, a patota toda. Morria de medo da cena do “Cão andaluz”, em que se cortava um olho — era um olho de boi, e não de uma moça, mesmo assim dava agonia.

Também criava uma suposta relação dos surrealistas com Mário Peixoto e seu “Limite”. Eu tinha ganhado um VHS do filme e um livro com o manuscrito do roteiro.

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Nunca fiz psicoterapia ou análise e li praticamente nada de Freud ou Jung. Fui empiricamente juntando referências e colecionando relatos de sonho, como por hobby, diversão — do mesmo jeito que escrevia sobre literatura, cinema ou música.

Faz uns anos fui me dando conta das mensagens que os sonhos me passam. Há temas e tipos de sonho mais recorrentes. Alguns deles antecipam o que há de vir. Tenho ainda muito o que aprender com eles. Basta me deixar levar, estar atenta ao que neles acontece. E escrever!

LEITE COM NESCAU EMBAIXO DA CAMA

— era com isso que eu tinha sonhado. Um copo de vidro, daqueles de requeijão, e leite achocolatado. Seguramente, colocavam um pouco de açúcar, para adoçar ainda mais a mistura. Era isso o que eu bebia todas as manhãs. Provavelmente, tinha pão com manteiga, ou banana, para acompanhar.

Certa vez, sonhei que o copo com nescau tinha sido deixado pela minha avó embaixo da cama, onde eu dormia. Ela teria feito isso como uma surpresa, para mim, antes de eu acordar. No sonho, eu acordo, pego o copo ainda deitada e logo bebo o leite que eu tanto gostava.

Mas o que aconteceu depois do sonho? Eu acordei, do mesmo jeito que tinha acordado no sonho. Só que dessa vez não havia nada embaixo da cama. O leite com nescau estaria na cozinha, como sempre esteve todos os dias da vida.

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Cheguei à cozinha triste. Perguntei à vovó: “cadê o leite que você colocou embaixo da minha cama?” Ela não deve ter entendido nada da minha pergunta.

Talvez já naquele momento eu teria compreendido que há sonhos muito parecidos com a realidade. Às vezes até paralelos a ela. Esses sonhos ao mesmo tempo são próximos e distantes do que vivemos. Seriam uma outra vida?

PEGAVA UMA CÂMERA

já velha, guardada um tempão na gaveta; vai ver ela esperava isso: depois de muito tempo, comprar um rolo de filme e fazer toda a cerimônia antes de começar a tirar fotos: abrir a embalagem do rolo, a caixinha de plástico, o cheiro da película, puxar a pontinha, encaixar nos dentes de um lado, do outro o rolo cheio ainda; fechar a tampa, sem deixar muita luz entrar, por enquanto.

Eu acordei assim, achando muito viável, muito próximo de mim, esse sonho, eu com uma câmera pronta pra sair na rua e tirar fotos. Todo o mistério das fotos até elas serem reveladas.

ESTÁVAMOS NUM PRÉDIO

grande, por onde era possível passear; era aqui em São Paulo. Foi ficando de noite, subimos os andares, acompanhando uma excursão (de japoneses, ao que tudo indica). Uma professora era a guia, contando a história de alguém que fugiu da segunda guerra.

Chegamos ao topo, subindo de mãos dadas. Muita gente ali – moradores, visitantes? – conversavam, deixavam o tempo passar.

O que importava era o céu, muito aberto, cheio de estrelas que rodavam. Eu me perguntava como toda essa cena seria possível.

UM VÍRUS ENTROU

no meu computador. Sem saber exatamente como, ele começou a se multiplicar. Eram ícones com carinhas de personagens de uma história, alguns ainda transparentes, prestes a nascer: todos eles se organizavam para dissolver os arquivos do meu computador. Lançaram a ameaça – eu tinha pouco tempo. Um amigo resolve me ajudar e encontra o cronograma do grupo de vilões-vírus. Faltando alguns segundos para a dissolução total, conseguimos apagar os ícones. Eu termino o sonho respirando aliviada.

DESCIA A RUA

Paim e no meio das demolições todas descobriram uma igrejinha no fundo de uma casa, em estilo neogótico. Ela seria demolida também? Não pude saber. Só via subindo a rua uma procissão grande, com muitas crianças. Mais para baixo, outras crianças não participavam da procissão, mas jogavam bola. Parecia que quem acompanhava a procissão era rico, quem brincava de bola não.