Arquivo do mês: julho 2015

O POTINHO DE CÚRCUMA

já está no armário do banheiro faz um ano. Comprei depois de ler um texto da Sonia Hirsch, comentando sobre os benefícios para a limpeza dos dentes. Vez ou outra uso. Sinceramente, não consegui que se tornasse um hábito. É realmente difícil mudar um costume tão forte quanto a escovação com pasta de dente. Assim como a cúrcuma, a técnica do oil pulling me chamou a atenção, mas até hoje não entrou na minha rotina. Regularmente, tomo uma colherzinha de óleo de coco ao acordar e antes de dormir. Quando dá, faço um bochecho rápido. Ofereço também ao Francisco, que curte o “bocôco” (óleo de coco, na sua linguagem). Acima de tudo, procuro entender que o principal é a ação mecânica da escova sobre os dentes. O creme dental é apenas uma ajuda para deixar mais delicado esse movimento.

Pela internet afora, encontra-se mil e um textos sobre os perigos do flúor. Perguntei a dentistas, médicos, todos eles refutam esses problemas e defendem o flúor na prevenção da cárie. Mesmo assim, queria encontrar uma alternativa não somente a ele — mas também vou atrás de produtos naturais que possam substituir o desodorante, o shampoo, o amaciante… Em suma, aqui em casa estamos aos poucos procurando eliminar o excesso de produtos químicos.

O vinagre de vinho branco já está do lado do sabão para lavar roupa, desempenhando o papel de amaciante. Não uso mais óleo para cabelo. Depois do shampoo (procuro o mais neutro possível, mas gostaria também de abandoná-lo), uso um tiquinho de nada de óleo de coco e penteio — o resultado é ótimo. Os desodorantes, uso-os o mínimo possível e procuro ter em casa versões sem alumínio (rende outro post à parte). No lugar do enxaguante bucal, óleo de coco ou girassol.

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Voltando à cúrcuma: é um dos condimentos mais divulgados no momento, graças às suas propriedades benéficas para a saúde. Na cozinha, tenho usado cada vez mais, por conta do gosto e do amarelo vivo. Faço, por exemplo, um crepe rápido com farinha de milho (ou grão de bico), um pouco de polvilho, chia, vinagre de maçã, água. Para temperar, vai cúrcuma, curry, coentro em pó, sal.

Semana passada, um post da Bela Gil levantou uma enorme polêmica: ela recomendava a cúrcuma para substituir os “porcaritos” das pastas convencionais. Os comentários não eram somente argumentos científicos, mas muitas zoeiras e ofensas. Não é a primeira vez que isso acontece: a melancia grelhada e os posts sobre a lancheira da filha e sua degustação de queijos franceses suscitaram muitas reações raivosas. Todo esse caso renderia outro enorme post — em vez disso recomendo esses dois textos aqui e aqui. O meu ponto, para finalizar: essa irritação que as dicas da Bela causaram talvez venham do fato de que elas mexem com algumas convicções. Crescemos confiando no poder eficaz e cientificamente comprovado das pastas de dente, sabões em pó, desodorantes e dos mil e um produtos que encontramos nas prateleiras do supermercado. Abrir mão deles parece arriscado: a sujeira, o suor e a oleosidade ameaçam nossa limpeza externa. Da minha parte, escrevo para que outras pessoas, a quem interessar, possam se lançar, experimentar, descobrir. Como disse no início, foram poucas as vezes que usei a cúrcuma para lavar os dentes. Quem sabe agora, com essa cutucada da Bela, eu me lembre mais desse tímido potinho no armário do banheiro.

ALGUMAS RECOMENDAÇÕES PARA VOCÊ MELHORAR SEU APRENDIZADO EM FRANCÊS (E EM OUTRAS LÍNGUAS ESTRANGEIRAS)

é o título de um texto que traduzi para meus alunos de francês. Era o apêndice de um livro sobre estratégias de aprendizado, uma lista de dicas muito simples e ao mesmo tempo importantes.

Normalmente, no primeiro dia de aula eu apresentava e lia com as novas turmas. A primeira aula era o momento de me apresentar e perguntar a cada pessoa na sala a sua razão de estar ali. Achava super especial esse primeiro contato, esse encontro. Tão especial quanto eram as despedidas de final de semestre, quando se fechava um ciclo. Tenho saudades da época em que era professora. Foi um tempo de trabalho muito intensivo, noites mal dormidas, mas também de belos encontros, risadas e ricas trocas.

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Voltando ao texto, ele estava meio perdido no meu blog velho e acreditei que ele merece ser republicado. Revisitá-lo agora que eu estou no meio de meu aprendizado de alemão também me incentiva a mim mesma a procurar maneiras variadas de me apropriar dessa língua tão difícil e fascinante — como tantas e tantas outras.

estratégia 1
Tenha seu aprendizado em mãos

Cada um aprende uma língua de maneiras diferentes. É preciso encontrar as técnicas que funcionam melhor para você.

Sugestões:
– Tente diferentes formas de aprender.
– Pergunte aos outros como eles conseguem aprender.
– Continue a usar as técnicas que parecem eficazes.

estratégia 2
Organize-se

O aprendizado de uma língua depende de um certo grau de organização da matéria: a pronúncia das palavras, o sentido das palavras e das frases, a forma das frases, o que implica igualmente numa organização do próprio aprendizado.

Sugestões
– Organize a agenda de modo a poder estudar fora do horário das aulas.
– Tente aprender alguma coisa nova todos os dias, fora das aulas.

estratégia 3
Seja criativo

Para aprender uma nova língua, você deve se aplicar pessoalmente. O francês vai cedo ou tarde “fazer parte de você”. Para isso, é preciso praticar.

Sugestões:
– Tente encontrar a regra que rege as frases que você ouve.
– Tente utilizar as palavras novas em novos contextos. Se você errar, pergunte por quê.
– “Brinque” com a língua.

estratégia 4
Crie suas próprias ocasiões para praticar

Para aprender uma língua, é preciso ser ativo, é preciso praticar a língua. Logo, é preciso encontrar ocasiões para falar, escutar, ler e até mesmo escrever.

Sugestões:
– Faça todas as atividades em sala de aula. Responda para si mesmo todas as questões que o professor faz a outros alunos. Observe os colegas de sala e verifique as respostas deles.
– Não tenha medo de fazer perguntas e de falar com pessoas que falam francês.
– Escute rádio em francês, assista televisão em francês, leia jornal em francês.
– A melhor maneira de praticar o francês é você falar francês.

estratégia 5
Aprenda a viver com a incerteza

Quando aprende-se uma língua, é preciso viver com a ambigüidade, com o inesperado e o incompreendido.

Sugestões:
– Não se apóie muito no dicionário. Ao ler, tente compreender o sentido geral lendo rapidamente o texto inteiro diversas vezes em vez de consultar o dicionário ao achar uma palavra que você não entende.
– Mantenha a calma! Se você não entende o que te dizem, peça para repetir, para falar mais devagar, para reformular. Não tente entender cada uma das palavras. Adivinhe!

estratégia 6
Utilize técnicas para melhorar sua memória

Sugestões:
– Agrupe palavras que rimam ou que começam com a mesma sílaba.
– Faça uma imagem mental do sentido das palavras.
– Tente associar uma nova palavra a outras que você já conhece.
– Tente agrupar palavras de acordo com sua função, categoria, etc.

estratégia 7
Não tenha medo de errar

Errar é natural. Os erros podem ser úteis se você os aproveitar para melhorar seu aprendizado.

Sugestões:
– Não espere poder dizer tudo corretamente antes de falar e de tudo entender antes de ler. Corra riscos! Pratique a língua!
– Tente perceber a diferença entre os tipos de erro que você comete: se são erros que estão de acordo com o sistema da língua (ao se dizer “uma menino”, há só uma questão de gênero inadequado) ou se são frases que fogem ao sistema (nenhum falante de português diria “menino um” no lugar de “um menino”, por exemplo)
– Tente entender a origem dos seus erros.
– Assegure-se que você entende as correções do seu professor.
– Tente julgar a relativa importância dos seus erros.
– Tente determinar quais erros mais incomodam seus interlocutores.

estratégia 8
Use seus conhecimentos em línguas

Você conhece ao menos uma língua. Todas as línguas se assemelham até certo ponto. Você pode então utilizar (conscientemente) seus conhecimentos em línguas para ajudar no aprendizado do francês.

Sugestões:
– Tente encontrar pontos comuns entre sua língua materna ou outras línguas que você conhece e o francês, no plano da pronúncia, da forma e do sentido.
– Tenha consciência das diferenças entre o francês e sua língua materna, ou outras línguas que você conhece.
– As expressões idiomáticas raramente têm o mesmo sentido e geralmente não se traduzem literalmente.

estratégia 9
Leve em conta o contexto

O sentido de uma palavra ou expressão é quase sempre determinado pelo contexto do enunciado no qual ele se encontra. É preciso então fazer uso do contexto para adivinhar o sentido da mensagem. É preciso estabelecer ligações entre as palavras, os sintagmas, as frases de uma conversa ou de um texto para compreendê-las melhor.

Sugestões:
– Preste atenção às relações entre as palavras.
– Utilize o sentido geral do enunciado para adivinhar o sentido preciso de uma expressão.
– Utilize o sentido geral de uma conversa e de seu contexto para adivinhar o sentido de uma frase.
– Recorra ao contexto social para adivinhar o sentido de certas palavras.

estratégia 10
Aprenda a adivinhar de maneira inteligente

Quando aprendemos uma língua, é importante decodificar não somente a mensagem mas também as intenções de quem fala. Para isso, é preciso utilizar seus conhecimentos do mundo e do que sabemos da comunicação verbal de maneira geral.

Sugestões:
– Tente sempre buscar o contexto geral da mensagem: o lugar, as pessoas, etc.
– Focalize suas atenções às coisas essenciais.
– Use probabilidades contextuais.
– Considere que o “aqui e agora” é pertinente.
– Leve em consideração que algumas de suas hipóteses estejam incorretas.

estratégia 11
Aprenda de cor algumas expressões sem as analisar

Em toda língua existem expressões idiomáticas que resistem a uma análise detalhada. É preciso aprendê-las globalmente sem tentar analisar suas partes.

Sugestões:
– Utilize o contexto no qual você escutou ou viu a expressão pela primeira vez para tirar o sentido geral.
– Não tenha medo de utilizar essas expressões e verificar a reação de seus interlocutores.

estratégia 12
Aprenda algumas rotinas e fórmulas

Toda língua tem suas maneiras de começar e terminar conversas, fórmulas para encorajar o interlocutor para continuar a falar, para interromper ou ainda fórmulas para se desculpar, recusar, oferecer ajuda, etc.

Sugestões:
– Aprenda rotinas para dar início e terminar conversas, para saudar e se despedir, para fazer e atender uma ligação telefônica.
– Aprenda fórmulas qui indicam que você escutou, que você entendeu (ou que você não entendeu).
– Aprenda fórmulas que permitam exprimir suas reações, indicar que você está de acordo ou não está de acordo.
– Aprenda a motivar o interlocutor aprendendo fórmulas que o incitem a reagir.
– Aprenda a “administrar” conversas aprendendo fórmulas rituais como: “sabe?”, “não é?”, “né?”, etc.

estratégia 13
Aprenda a utilizar diferentes registros

A maneira com que uma coisa é dita é muitas vezes mais importante do o que é propriamente dito. Toda língua utiliza diferentes registros de acordo com a situação, de acordo com o assunto tratado, etc. Quando aprendemos uma segunda língua, essas variações não são sempre evidentes e temos tendência a nos limitarmos a formas o mais neutras possível.

Sugestões:
– Preste atenção à maneira com a qual o professor se dirige a você. Ele usa o pronome tu ou vós? Ele usa o seu prenome ou seu sobrenome?
– Tente se sensibilizar a variações em geral. Quais fatores interferem? Sexo, idade, condição social, lugar, assunto da conversa?
– Tente reconhecer diversas maneiras de dizer uma mesma coisa.

Traduzido e adaptado de
Cyr, Paul. Stratégies d’apprentissage.
por Ana Amelia Coelho Pace

400 POSTS

aqui no ovonovo. Este aqui é o número 400. Vi o número no painel de administração do blog e achei que seria a ocasião para escrever a respeito.

Abri o primeiro blog, o colher, entre 2001 e 2002, bem no comecinho. Foi uma ferramenta maravilhosa para quem queria escrever despreocupadamente, sem precisar aprender a fundo a linguagem de construção de sites — o velho html. Alguns amigxs também foram abrindo seus blogs. A gente ia comentando, animadamente, os posts uns dxs outrxs, fazendo piadas internas. Surgiam visitantes que iam se habituando à turma. Era como se cada blog fosse uma sala de visitas — decorada de acordo com o gosto dx anfitriã-ão, onde se conversava, ouvia-se uma música, comentava-se um livro ou filme… Era um pouco do que hoje cumprem em parte as redes sociais.

Participei pouco de blogs coletivos, mesmo tendo simpatia pela ideia eles não tiveram grande fôlego. O mais bonito deles foi o breve alheios alhures.

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Houve períodos em que eu escrevia febrilmente, todos os dias. Era uma espécie de disciplina que me coloquei a mim. Manter a regularidade me ajudou muito. Como um esporte que depende de prática constante, a escrita diária me mantinha em forma para juntar palavras, formular ideias, fazer conexões. Pela escrita consigo enxergar melhor a mim mesma. Em outras palavras, escrever é uma necessidade dramática.

Teve momentos em que decidi fazer uma pausa. Precisava dessa distância. Um blog aberto é lido por inúmeras pessoas, conhecidas ou não. Esse tipo de audiência anônima me agrada e até me estimula, mas há momentos em que é melhor o silêncio.

Mesmo assim amo falar e escrever, isso faz parte da minha natureza e nada melhor do que cultivar esse meu gosto. Sinto-me feliz de transmitir o que vou aprendendo, vendo e sentindo vida afora. Releio os posts passados, recordo, reflito. Amo igualmente descobrir e acompanhar outros blogs, seja de culinária, vida materna ou astrologia. Sou do tipo que comenta pouco… talvez precisaria participar mais nos textos de outras pessoas, assim como participar de projetos coletivos de escrita. Ficam essas perspectivas nesse marco de hoje, 400, esse belo número.

DIA OITO DE JULHO

de 1981 eu nasci. Mas fui saber disso muitos anos depois. Minha mãe me mostrou o documento da maternidade com a data. Até então, meu aniversário era 9 de julho.

Como assim? Eu nasci no dia 8. Mas fui registrada com outra data de nascimento. Em todos os meus documentos consta o dia 9.

Durante muito tempo, deixei essa historinha em segredo. Mantive o dia 9 para comemorar. Poucas pessoas mais próximas sabiam do dia 8 e temia que elas revelassem a verdade para todo mundo… isso porque eu preferia o dia 9 ao 8. Achava numericamente mais simpático.

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Uma vez fizeram meu mapa astral e nem me dei conta que informei a data errada! Deveria ter dito dia 8 mas automaticamente disse: dia 9/7/81. Um mapa com um dia de diferença não teria um resultado condizente com a realidade. Estaria mentindo para mim.

Aí fui me dando conta que faz diferença um dia ou outro. Os dois dias tem seu valor e significado, à sua maneira. Não existem separadamente. Cabe a mim conciliá-las, me alegrar e viver com elas.

“GOSTO DE…”

era um post do colher, escrito há quase sete anos. Relendo o blog antigo, ele me chamou a atenção. Preocupo-me com comida, já tem um bom tempo. Naquela época, havia parado de comer carne de frango, boi e porco e estava procurando alguma ajuda profissional. Fui a uma nutricionista que me deu uma super bronca: ela disse que era fundamental comer carne vermelha, sobretudo por ser mulher e precisar de ferro. Ela até mesmo me assustou com a história “você quer ser mãe? seu filho vai nascer com problemas se você não comer carne!” Eu até tentei, mas meu corpo disse “não” à carne. Ainda bem que meu homeopata me tranquilizou, dizendo que não há consenso nesse assunto: há quem defenda o vegetarianismo, há quem diga que o consumo de proteína animal é saudável.

Voltando ao post, deu vontade de fazer uma comparação entre 2015 e 2008. O que mudou nos meus gostos alimentares?

gosto_de_

Pêssego: continuo gostando; e seus derivados, nem tanto, como antes. O interessante é contrapor a fruta natural a produtos industrializados.

Abacate: agora eu como praticamente todo dia! Aqui compro muito aquele abacate pequeno, que chamam de avocado. Não como puro, mas misturo com banana, faço mix com outras frutas no liquidificador. Esses dias fiz até um pesto de abacate.

Soja: descobri que esse grão é desnecessário em nossa dieta, nocivo até, graças a esse texto da Sonia Hirsch (mais infos aqui e aqui). Assim, parei com sorvetes ou leites de soja. Vez ou outra vou atrás de um tofu. Ano passado comprei missô e quero voltar a usá-lo no dia a dia.

Acho legal mesmo de misturar gostos diferentes, doce e salgado. Todo dia de manhã tomo suco de meio limão espremido, água morna. Vez ou outra, um pouco de gengibre.

Ovo realmente não me agrada, cozido ou frito. Tenho aprendido a fazer receitas de bolo, crepe e tortas sem ovo — mas também se for necessário não vejo problema em usar. Fico sempre de olho no galinheiro que tem perto de casa. O dono costuma vender os ovos. Mas quando passo por lá não há ovos à venda. Penso que é mais interessante consumir o que produzem aquelas galinhas que vemos ciscar, um pouco mais felizes do que aquelas das grandes granjas.

Chocolate tenho tentado evitar ao máximo, porque se tenho uma barra aberta não consigo parar de comer até chegar o final. Quando compro, escolho os tipos amargos, 85% ou até 90% cacau — com dose menor de açúcar. Descobri uma receitinha gostosa e simples: misturar abacate com cacau em pó. Vira um mousse. No papacapim tem  uma receita bem elaborada dessa mistura de cacau e abacate.

Morango é gostoso, mas tenho evitado, usam muito agrotóxico; e tenho minhas dúvidas se dificulta a digestão. Salada é algo que eu amo mesmo — percebo que folhas são essenciais para o meu corpo, seja como salada ou suco. Peixe estou comendo apenas socialmente, cada vez menos. Sopas e mandioquinha continuo apreciando.

Mantenho esse hábito de comer algo durante um período, praticamente todos os dias, até que um dia em que perco a vontade. E leio muito sobre alimentação saudável, vou atrás de substitutos à carne e produtos de origem animal (mesmo sem me considerar nem vegetariana nem vegana), experimento à beça.