EU QUERIA PIPOCA DOCE

daquelas de canjica; elas vinham num saco de plástico rosa; uma marca, chamada “Rock”, trazia desenhos de instrumentos musicais na embalagem.

Estávamos passeando na rua. Era fim de tarde, um domingo? Não sei onde tínhamos ido. Mas talvez meus pais estivessem bem cansados, pra lá e pra cá de ônibus com as três crianças. Eu era a maior e por isso deveria me comportar e dar menos trabalho.

Mas eu queria um saco de pipoca. E meus pais disseram: — não. Pode ser que não fosse hora de comer doce, que o dinheiro estivesse contado. Nada disso me interessava: eu queria um saco de pipoca. Pipoca doce. De canjica. Marca “Rock”.

Fonte da imagem: aqui

Não, não e não. Insisti. Chorei. Gritei. Fiz birra. Queria pipoca. Queria porque queria. Não ter a pipoca parecia o fim do mundo.

Meus pais finalmente cederam. Encontraram um camelô pela rua, que vendia as pipocas, penduradas. Me deram o saco de plástico rosa com os instrumentos musicais.

Tão logo abri a embalagem, perdi a vontade de comer a pipoca. Ela se evaporou no ar. Não queria pipoca doce. Devolvi o saco aos meus pais, que devem ter ficado furiosos. E eu, tão triste como antes.

Eu não queria pipoca doce.

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