FICAR EM SILÊNCIO

e me afastar: eis um recurso que tenho usado cada vez mais, no dia-a-dia, em situações de confronto. Um exemplo: a vizinha vem dar palpite porque o Francisco não dorme em berço.

Se fosse uns meses atrás, eu começaria a explicar nossa decisão, dar argumentos. Mas já percebi que isso poucas vezes adianta. A outra pessoa, em grande parte dos casos, não está interessada em debater pontos de vista. Ela quer, quase sempre, somente mostrar que tem razão, por conta de sua experiência.

Por conta disso, passei a adotar uma postura menos defensiva; ou seja, fui me dando conta de que eu não tenho necessariamente que defender meu ponto de vista. Assim, busco escutar o que me tem a dizer — e reagir da maneira mais neutra possível.

Uma boa imagem para essa neutralidade é o meme “cara de alface”, que surgiu no Memezinho da mamãe.

image

(fonte: Memezinho da mamãe)

Antes de me tornar mãe, poderia imaginar que situações como essa são exagero. Pena que não…É de se perguntar porque são recorrentes os palpites em torno de mães e pais de bebês pequenxs.

Já ouvi de tudo: “você está machucando seu filho dentro do sling”; “é perigoso dormir com bebê na cama”; “amamentar mais de um ano faz mal à saúde”; “deixa ele chorar”; “não o carregue tanto no colo”; “você deveria voltar a trabalhar”…

Meses atrás, eu considerava esses palpites mais pelo seu aspecto negativo: “a pessoa me vê como incapaz de cuidar de meu próprio filho!” Com o passar do tempo, tento levar como um tipo de ajuda, aceitando a opinião alheia, mesmo sendo muitas vezes diferente da minha. Pensar assim tem me deixado mais leve.

Ficar imaginando que o mundo conspira contra mim só aumentava o stress e me fazia sentir mais isolada. Ajudou-me muito ler sobre comunicação não-violenta (outros dois posts sobre cnv aqui e aqui).

Gosto de pensar que estamos numa via de mão dupla. Por um lado, eu não faço o que esperam de mim como mãe — amamento, carrego no sling, compartilho a cama. Em retorno, há de se entender que as pessoas não reajam como eu gostaria, manifestando seu desacordo. Parece justo, não?

O mundo não gira ao meu redor. Ninguém tem a obrigação de agradar ou satisfazer minhas expectativas. Se a gente prega a tolerância, tem que tolerar também aquilo que não nos agrada.

Por ora, tenho exercitado a escuta da fala dx outrx. E ficando em silêncio, quando não encontro boas palavras como resposta.

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