Arquivo do mês: julho 2014

A PARTIR DE AGOSTO

vou mudar a frequência dos posts aqui: passo a uma vez por semana, em vez de duas, como tenho feito até agora.

A razão: quero me dedicar a outras atividades. Gosto muito de escrever. Voltar ao blog tem me feito bem. Ajuda a pensar na minha vida, nos rumos que percorri, no que virá pela frente.

Algumas pessoas me escreveram, dando um retorno positivo sobre meus posts. Contribuir para a vida das pessoas também me faz feliz.

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O blog demanda uma disciplina: organizo os temas, preparo algumas modestas ilustrações, planejo no calendário a publicação — um trabalho editorial em miniatura. Outra coisa que eu curto.

Na rotina de mãe, trabalhar no blog é uma gostosa ocupação. Mas também preciso dar espaço a outras coisas: leituras, crochê, fazer um curso, uma atividade física… assuntos que poderão entrar no blog em breve.

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“SERÁ QUE PRECISAMOS DISSO?”

é uma pergunta para se fazer muitas vezes, quando o assunto é “enxoval de bebê” (já escrevi um primeiro post, aqui). Abaixo, uma lista de coisas que não foram tão necessárias quanto parecia — ou que foram úteis durante um curto período de tempo:

(um parêntese para lembrar que essa lista vem da nossa experiência de mãe e pai; o que não nos foi importante pode ser de muita valia para outras famílias; cada uma vai descobrindo suas necessidades, variáveis, particulares…)

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— Carrinho de bebê: um amigo emprestou; nunca usamos, está desmontado e tomando pó.

— Carregador tipo mochila-canguru: mais de uma pessoa ofereceu; não usamos. Há estudos que apontam problemas nesse tipo de carregador. O sling é mais ergônomico e não prejudica o bebê, se usado corretamente. Recomendo o blog http://mamaedoula.blogspot.com — repleto de informação embasada a respeito.

— Banheirinha: compramos e está novinha, sem uso. Francisco tomava banho no balde e, desde os quatro meses, direto no chuveiro.

— Toalha de banho felpuda para bebê: ganhamos várias, mas usamos somente nos primeiros meses. Agora estão pequenas demais para o Francisco; faz um tempo que ele usa as mesmas toalhas que nós.

— Berço: emprestaram um de segunda mão, mas já o devolvemos; dormimos os três na cama.

— Trocador: compramos um modelo dobrável. Foi bem útil, até o Francisco aprender a rolar. Aí tornou-se perigoso. Fazemos a troca de fraldas no chão, apoiado num protetor de plástico.

— Penico: já deram um de presente. Mas estou pressentindo que não será necessário. Há poucas semanas o Francisco faz cocô no vaso sanitário. Será o tema de outro post.

— Cadeiras para bebê, tipo bebê-conforto: só para o carro, visto que é um artigo de segurança. Em casa, nunca. Ou ele ficava no colo, sling, cama, trocador ou no chão — apoiado em cobertas e protegido por almofadas. Não é aconselhável deixar o bebê num bebê-conforto durante muito tempo.

— Bandeja para comer: aquelas cadeiras para comer quase sempre vem com bandejas, sobre as quais se coloca a comida. A gente deixou a bandeja de lado. O Francisco come direto na mesa, junto conosco. Aqui um delicioso texto sobre o aprender a comer (já indiquei no post sobre blw, vale a pena repetir!).

— Mamadeira: não compramos, não ganhamos e não queremos. Assim como chupeta, a mamadeira cria um vínculo que prefiro que o Francisco não construa. O assunto é vasto. Líquidos ele bebe no copo ou garrafinhas.

— Sutiã de amamentação: falei no post anterior; não gostei de nenhum modelo. Os sutiãs normais, com protetor de pano, foram a melhor opção para mim.

— Bolsa de bebê: recebemos uma de presente mas logo nas primeiras semanas passei a usar uma mochila normal, ao sair de casa, levando fraldas e trocas de roupa. Achei mais prático.

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Em suma, para nós, algumas coisas que pareciam essenciais não foram necessárias. Cercados de apetrechos, a distância entre mãe, pai e bebê fica maior. O consumismo nos leva a crer que sempre nos falta algo. O melhor é se questionar: será mesmo?

Assim como nos perguntam “cadê a chupeta?”, já ouvimos “e o berço? e o carrinho?”; já fomos chamados de “cabeça dura”, “estranhos” e por aí vai… Dizer não a essas coisas e enfrentar o julgamento alheio exige força.

E de que precisamos, afinal?

Tempo, silêncio, boa música. Colo, peito, dormir junto. Carinho, beijo, abraço. Olhares e mensagens amigas. Comidas saudáveis, simples e gostosas. Aproveitar em cada pequeno detalhe esse momento irrepetível e que passa voando.

“EU NÃO TINHA PACIÊNCIA COM ESSA HISTÓRIA DE ENXOVAL”

— foi o que eu disse a uma pessoa que me escreveu perguntando sobre o que comprar para seu bebê, que chegará daqui uns meses; o que segue abaixo é a mensagem que escrevi a ela, com algumas alterações.

Não dei muito bola para as compras — preferia ler, descansar, me exercitar… Recebemos roupas seminovas e ganhamos muitos presentes. Mas nos primeiros dias de vida do Francisco me vi sem roupas suficientes! A sogra foi correndo numa loja e me ajudou com uns pijamas.

Os bebês crescem muito nos primeiros meses. Logo, perdem roupa bem rápido. Ao mesmo tempo, precisam de bastante roupa, porque vomitam, o xixi e cocô vazam, suam. Nós lavamos roupa do Francisco todo dia. Compensa; assim o que suja num dia está seco no dia seguinte.

Outro detalhe: o padrão de tamanho varia incrivelmente — assim como paras roupas de adultos. Acontece de o bebê ter 4 meses e vestir tamanho 6-9 meses, porque cresceu mais rapidinho. Depende se x filhote é magrx ou gordinhx. O Francisco é alto e magro, tantas roupas ficam largas nele!

Parece piada mas a realidade é mais ou menos essa:

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(fonte: Memezinho da mamãe)

De toda forma, fiz uma lista do que me parece mais importante:

— O principal item é body; usamos sempre. Até hoje o Francisco suja uns 4 bodies por dia, de comida, xixi ou suor.

(Quatro, aliás, é um bom número para estimar uma média de roupa necessária para um dia. Há dias em que se suja mais, em outros menos.)

— Pijamas-macacões de uma peça só; eu os achava mais práticos nos primeiros três meses, porque era difícil trocar o Francisco, pequeno e molinho. Ele ficava praticemente o dia todo de macacão, até porque dormia muito. Logo, tínhamos vários deles.

— Camisetas, calças, bermudas. Em mais quantidade a partir de 3 meses.

— Casaquinhos: acho bons os que vem com capuz, porque protegem o pescoço e podem servir de gorro.

— Meias e aqueles sapatinhos de lã (até hoje o Francisco não precisou de sapato de verdade, já que ainda não anda).

— Meia-calça: uns dois pares, para os dias mais frios.

— Gorrinho e chapéu de sol; importante proteger sempre a cabeça, com frio ou calor. Dois de cada basta.

— Manta pra dormir, brincar em cima e passear. Não mais do que três.

— Fralda de pano/ pano de boca, para as gorfadas, babadas e pra segurar o leite que sai do seio! Diria que uma dúzia de paninhos dá conta do recado.

— E por falar em leite do peito, uso sempre um protetor no sutiã; mas de pano, não os descartáveis, que grudam no mamilo. Aconselho uns quatro pares, porque no começo vaza muito leite. Não uso sutiã de amamentação; uso sutiã normal e sempre alguma roupa com botões na frente, que eu consiga abrir pra dar de mamar.

Eu poderia fazer uma lista mais detalhada, mas acima de tudo você e seu/sua parceirx vão sentir a necessidade no dia a dia. Importante é garantir o primeiro mês. Ainda assim vai acontecer de você colocar uma roupa super larga (por falta de menor) e perder roupas sem nuncar ter usado — faz parte.

Amo esse texto, concordo com praticamente tudo. E aqui também tem dicas boas. O assunto vai render um outro post meu, em breve!

NÃO É FÁCIL

— e quem disse que não seria difícil? Sim, a vida de mãe é maravilhosa. Engravidei de surpresa — queria mas não esperava que acontecesse tão rápido — e amo todas as mudanças pelas quais tenho passado.

Mas este post é para dizer que nem sempre é fácil encarar os obstáculos do dia a dia. Tenho meus momentos sem paciência; de nervoso; de xingar o menor dos contratempos; de me irritar com as críticas mais insignificantes; de perder as forças; de me preocupar demasiadamente; de me sentir insegura; de pensar sem razão no julgamento alheio; de duvidar da minha capacidade; de ter medo, enfim.

Fui percebendo que a negatividade poderia me fazer muito mal.

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O que tenho feito para remediar esses momentos? Evito me lamentar. Tento pensar positivo. Não julgar x outrx. Baixar a guarda. Ficar com menos defesas. Olhar-me no espelho. Afastar-me se me sinto incapaz de confrontar alguém. Ter paciência: porque tudo é uma fase, o tempo passa e nossa jornada é curta.

Aceitar o mundo como ele é, com suas qualidades e defeitos — eita tarefa complicada essa!

Um bom começo, para mim, foi também criar menos expectativas a respeito das pessoas. Ninguém é responsável pelos meus sentimentos a não ser eu mesma. E eu não devo necessariamente agradar ninguém.

Algumas dessas ideias me vieram ao longo da leitura de “Comunicação não-violenta”. Desse livro, já publiquei uma historinha, “as chaves perdidas”. Em breve volto a falar disso.

DORMIR JUNTOS

é uma das coisas mais gostosas da nossa vida de mãe, pai e filho. Faz bem a nós três. É uma coisa linda de viver. E de quebra ajuda no sono de todo mundo.

Quem diria que no começo a gente tinha preparado um berço pro Francisco. Ficava colado na cama. Nas primeiras noites foi lá que ele dormiu. Quando acordava pra mamar, eu levantava, amamentava sentada no sofá. Caía no sono muitas vezes, com ele no colo… Cansativo. Compreensível que assim muitas mães comecem um desmame noturno precoce — por falta de energia para encarar um sono picado. Eu encararia esse ritmo. Mas ainda bem que apareceu essa solução elementar: a cama compartilhada.

Agradeço ao Marco por ter tomado a iniciativa de trazer o Francisco pra nossa cama na hora de dormir. Foi ótimo! Comecei a amamentar deitada. Isso significa que de madrugada temos um mínimo de esforço. Praticamente dormindo o Francisco se aproxima e mama.

Mas não quero dizer que dormimos a noite toda, sem acordar. Eu mesma preciso muitas vezes fazer um xixi noturno.

E por falar em xixi noturno, o Francisco usa uma fralda de pano com cobertura extra; assim, trocamos de fralda de manhãzinha, na maior parte das vezes.

O dormir junto também vale para as sonecas durante o dia. Dá para perceber claramente a qualidade e a duração do cochilo quando estou junto e quando deixo o Francisco dormindo sozinho. Até mesmo junto com o Marco o Francisco dorme melhor. Certamente é algo instintivo: um bebê pré-histórico dormindo desacompanhado seria uma presa muito fácil, não?

E os afazeres da casa, você deixa de lado pra ficar deitada junto com o Francisco? Sim. Prefiro que a louça, o amontoado de roupas e a poeira no chão fiquem esperando… questão de priorizar.

Com o tempo percebemos o quanto é valioso o sono — não somente do ponto de vista prático, mas pelo aspecto afetivo. Dormir junto é dividir muito carinho, proteger-se uns aos outros.

Quem opta por cama compartilhada se confronta com alguns mitos que circundam o assunto. Tudo fácil de rebater!

Em outro post já recomendei alguns textos, vale a pena repetir os links: aqui e aqui; recomendações e cuidados, aqui. Ah, tem esse aqui também.

E bom sono ;)

“CADÊ A CHUPETA DO BEBÊ?”

essa é uma pergunta que muitas crianças já fizeram ao ver o Francisco. Parece natural que um bebê use chupeta. Algumas dessas mesmas crianças ainda tem chupeta.

Lembro-me muito bem de quando eu era pequena. Tive chupeta até uns quatro anos. Larguei uma noite, antes de dormir. Pareceu simples: joguei-a fora no lixo do banheiro. Minha mãe insistia para eu largá-la, atendi ao seu pedido. Por outro lado, a mamadeira, essa foi duro de largar. Demorou muito mais tempo. Em família, não me envergonhava de tomar com o bico meu leite com nescau.

Só pela minha experiência de criança, eu não dou nem chupeta nem mamadeira ao Francisco.

A lista de contras é muito grande. Vai de danos à formação dos dentes, à respiração, à postura corporal como um todo, passando pela dependência afetiva. O bico artificial supre uma falta e torna-se um objeto transicional. Quando a criança “já está grandinha” os adultos querem a todo custo — até mesmo colocando pimenta — tirar esse hábito que lhe dá tanto conforto. Afinal, pensa-se sobretudo no ponto de vista do adulto: quando pequeno, é conveniente dar uma chupeta. Já grande, melhor escondê-la, eliminá-la.

Já disse em outro post que o pós-parto é um momento delicado, em que nossas convicções podem enfraquecer. Pois eu confesso que por um átimo — foi um momento bem breve — eu cogitei dar chupeta ao Francisco. Isso porque eu estava com o mamilo ferido e me perguntava se eu daria conta de atender à sua necessidade de sucção. Amamentar, como bem sabemos, não é só alimentar mas dar aconchego, carinho. A sucção relaxa, ajuda nas cólicas, auxilia o sono.

Ainda bem que encontrei os argumentos que me fizeram de uma vez por todas ter a certeza de que a chupeta nos prejudicaria. Seguimos forte no peito, confrontando a ideia de que ele faça meu peito de chupeta — coisa que, pensando bem, não faz sentido algum: o peito é natural, a chupeta é que foi criada para substituí-la!

Mas e a mamadeira? Há uma alternativa muito simples, o copo! Ele ainda não segura o copo sozinho, mas com um pouco de ajuda nossa ele já dá seus golinhos.

Pra finalizar, deixo algumas indicações de leitura: na vila mamífera, no slingando, e na cientista que virou mãe.

MEU ANIVERSÁRIO

é no mês de julho e quase sempre acontecia durante as férias da escola — ou ao menos no final de semestre. Minha irmã nasceu numa data bem próxima, por isso organizava-se uma festinha para as duas, sempre simples, em casa.

Virou feriado na cidade de São Paulo, quando eu já tinha uns 10 anos. Assim, era um dia livre, sem escola nem trabalho. Comemorava junto com a irmã ou outras amigas que também nasceram em julho.

Uma vez era final da Copa, França e Itália; o bar cheio de gente vendo o jogo no telão. Foi divertido, talvez porque o jogo tirava um pouco da atenção sobre o momento.

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Os anos foram passando e meu aniversário começou a me trazer uma sensação estranha. Uma vez estava voltando de avião pra casa, depois da primeira viagem ao exterior. E em outros anos, calhou de passar o aniversário fora, por conta de alguma viagem — fazendo cursos, que normalmente acontecem em julho, período de férias estivais no hemisfério norte. Aí um ano eu realmente me mandei. Quis me isolar, ter pouca gente ao redor. E repeti o isolamento outras vezes. Ia pra algum outro lugar. Evitava que as atenções se voltassem para mim.

Ano passado estava já com um barrigão. Fiz poucas coisas, comemos fora. Não vi muita gente. Preferi assim.

Muitas vezes associamos aniversário com festa, ver pessoas, comer e beber, agitação, barulho. Acho bem válido, mas não em todos os casos. Aniversário é a marca do nosso nascimento, nossa vinda a este mundo. Recomeça um novo ano. Deve ser especial sim. Mas não necessariamente efusivo.

Pode ser que ano que vem eu mude de ideia e faça uma grande festa. Pode ser que não. Quem sabe?