Arquivo do dia: 10 de junho de 2014

AMAMENTAR, NO COMEÇO

é algo absolutamente novo, num momento de transformação radical; talvez por isso também seja difícil, cansativo e desafiador. Já tive contato com várias histórias de amamentação — muitas delas trazem esse elemento de dificuldade.

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No que toca ao Francisco e a mim, posso dizer que enfrentamos alguns poucos obstáculos. Há sempre um controle do peso do bebê nos primeiros dias de vida. É normal que percam um pouco do peso inicial, mas não em demasia. Felizmente a perda de peso foi mínima depois dos três dias na casa de parto.

Logo que nasceu, o Francisco veio pro meu peito, mas não mamava. Dava uns suspiros e descansava. Almocei, dormimos e logo depois, hora do peito.

Sabia que a sucção estimula a produção de leite, que chegaria no dia seguinte. Naquele momento, saía colostro, super importante para o bebê. Eu o deixava mamar muito tempo… além do que me recomendaram. Diziam 20 minutos. Mas ele ficava no peito até eu cansar — ou ele cair realmente no sono e largar.

Sim, dar de mamar era cansativo; eu tinha dores nas costas e nos braços, suava como se estivesse fazendo fitness ou uma arte marcial. Lembrava das minhas primeiras aulas de kung fu… desajeitada e dolorida, mas bem feliz.

Tentei todo tipo de posição para amamentar. É bom ir variando mesmo. Era preciso ficar de olho em tudo: massagear os seios para não deixar empedrar; atentar para os mamilos; respirar com calma; não tensionar as costas; encontrar um apoio para as pernas…

Eu vivia um mar de sensações novas e além disso precisava guiar o Francisco: segurá-lo bem em meus braços, apoiar a cabeça, acertar a pega do seio, incentivá-lo a mamar. Às vezes parecia que ele buscava o seio em outra direção, meio perdido. Cabia a mim ter a calma e me antecipar ao choro — pois o choro é sinal tardio de fome. Eu observava muito seus movimentos para reconhecer a sua vontade de mamar. Até hoje, ele não é de chorar tanto. Busca o peito, se mexe bastante, fala mamama quando quer peito.

Os seios sofriam com o mamar. Para aliviar, ficava sempre que possível com os peitos de fora. Deixava uns 15 minutos tomando um sol. Descansava, dormia. Pomadas não são recomendadas, mesmo assim usei uma totalmente natural, durante um tempinho.

Quando o leite desceu e os peitos ficaram pesados e quentes, coloquei umas folhas de repolho branco geladas dentro do sutiã. Ufa, foi valiosa essa dica!

Depois da primeira semana, parecia que tudo estava indo bem. Eu apoiava os braços e o Francisco numa almofada de amamentação. Ele dormia, eu até aproveitava pra ler ou ver o noticiário. Mas eis que uma dor foi aparecendo no seio esquerdo… sobre isso falo no próximo post.

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