ESSA É A HOLGA

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modelo CFN120, fabricada na China, a princípio destinada aos próprios chineses, a um baixíssimo custo. É médio formato, ou seja, destinada a filmes 120 (e não 35mm, como é o caso das câmeras mais populares).

Hoje em dia ela é propriedade da Lomography, grupo austríaco que popularizou a câmera Lomo, fabricada na antiga URSS. Com o tempo, eles refabricaram e reinventaram várias câmeras analógicas. Mesmo a Holga possui vários modelos, cores e acessórios. São um dos principais responsáveis pelo retorno da fotografia analógica, mesmo que se faça muitas críticas a respeito. Eu inclusive concordo com todas elas: ao mesmo tempo que eles difundem uma estética e uma forma artesanal de se fazer fotos, pretendem controlar tudo sob sua empresa, vender e manter a clientela. É uma boa discussão.

Voltando ao tema do post: ganhei a Holga três anos atrás, quando estávamos no comecinho do namoro. Alegrou-me de cara: a caixa é alegre, a câmera parece mais um brinquedo de criança. É quase toda de plástico, inclusive a lente. Trata-se de uma câmera muito rudimentar, frágil até. Sua absoluta simplicidade me cativou.

Fui tirando fotos aos poucos. Fotografar com filme demanda mais cautela, paciência. Precisa pensar duas vezes antes do clique. Lembrar o ISO do filme, ajustar a exposição, o foco, o tipo de abertura. Caso contrário, perde-se muitas fotos. Na verdade, perder boas fotos faz parte da experiência…

Com o tempo, abri uma página no site da lomography, para hospedar minhas fotos, ver álbuns de outras pessoas, acompanhar notícias, compartilhar dicas. Mas não participo tanto das atividades de lá.

Coloquei algumas fotos no flickr também, misturadas com algumas digitais. Tudo muito esporádico, em ritmo lento.

Compro filmes e revelo em lugares bem baratinhos mas competentes. Encontrar laboratórios bons também rende aventuras pela cidade. Consegui um scanner que digitaliza negativos. Assim, dá para manter esse hobby sem gastar muito.

Essa é a minha foto preferida, que já publiquei aqui em outro post, “passeando com a holga”. Foi feita com um recurso muito simples: a dupla exposição. É possível dar múltiplos cliques numa mesma posição do filme, controlando luz e sombra, diferentes níveis de iluminação e cores. Eu tirei uma primeira vez a foto, depois virei a câmera de ponta-cabeça e fiz a mesma foto — muito elementar e simétrico.

Além disso, essa foto foi tirada com um filme para slides — mas revelado como filme de foto normal, no que se chama de processo cruzado (ou x-pro). Pois é, a Holga me introduziu num outro mundo! Na verdade, ainda não domino muito da linguagem fotográfica; aos poucos vou aprendendo mais e mais.

O legal é justamente poder se lançar em experiências e gambiarras que nem sempre dão certo. Para fotografar com filme, é preciso ter muita luz, ou algumas fotos saem bastante escuras

Uma gambiarra interessante da Holga é colocar um filme de 35mm. Nesse caso aí em cima, usei o 35mm ao contrário, ou seja, fotografei redscale. Uma dica é fazer uma pesquisa de imagens no google com a palavra redscale: os resultados são fotos lindas, em tons de vermelho, laranja e marrom!

Para quem se interessar, esse vídeo é engraçado: uma resenha meio zoada a respeito da Holga, que não precisa ser levada a sério. O queimando filme é uma comunidade muito legal sobre fotografia analógica.

Um post é pouco para falar das possibilidades que a Holga pode oferecer. A incerteza e o inesperado do processo me agradam muito. Sempre que posso, aproveito um dia de sol para sair com ela e ficar experimentando, sem me preocupar com o que vai sair na revelação…

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