Arquivo do mês: maio 2011

OS AGENTES DO DESTINO

não são os personagens principais do filme, mas um grupo que os observa, que os controla: é graças a eles que tudo vai acontecer como previsto, como escrito no livro.

No entanto, esses personagens querem outra coisa, mesmo que leve tempo, mesmo que leve o filme todo, que o filme acabe justamente depois de conseguirem convencer que a história deles vale a pena.

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PASSEANDO COM A HOLGA

as coisas que eu já conheço na cidade vão tomando uma outra forma, o céu ganha outras cores, como se fosse num sonho, como se fossem um desenho no caderno.

BOAS PEQUENAS COISAS

na rua – como o escadão que liga a Avanhandava ao comecinho da Frei Caneca, com a Caio Prado. Dias atrás passei por lá, ela estava interditada – a tristeza bateu: vão fechá-la? murar a escada? Não, que bom! Ela agora está novinha, degraus refeitos.

OLHAVA O CALENDÁRIO

e pensava: o mês perfeito é aquele que começa no domingo: assim a primeira semana segue o dia e o número: segunda é dia dois, terça dia três, quarta é quatro, quinta cinco, sexta seis, sábado sete – semana cheia no começo; se fosse um fevereiro de 28 dias, o mês aparecia em quatro semanas cheinhas.

QUASE NO FIM

do filme, dois personagens se encontram: comentam a história em quadrinhos que é desenhada durante o filme. A personagem que leu a história pergunta pro autor: – o cientista que você desenhou é o seu pai? Ele responde: – não, isso é só uma história. Você está tentando encontrar correspondências.

O mesmo acontece com quem está assistindo ao filme, que fica se perguntando: onde está John Cameron Mitchell dentro desse buraco de coelho?

PEGAVA UMA CÂMERA

já velha, guardada um tempão na gaveta; vai ver ela esperava isso: depois de muito tempo, comprar um rolo de filme e fazer toda a cerimônia antes de começar a tirar fotos: abrir a embalagem do rolo, a caixinha de plástico, o cheiro da película, puxar a pontinha, encaixar nos dentes de um lado, do outro o rolo cheio ainda; fechar a tampa, sem deixar muita luz entrar, por enquanto.

Eu acordei assim, achando muito viável, muito próximo de mim, esse sonho, eu com uma câmera pronta pra sair na rua e tirar fotos. Todo o mistério das fotos até elas serem reveladas.