Arquivo do mês: março 2011

HORA AZUL

fica no espaço que separa o dia da noite.

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DIRIGINDO UM JIPE

eu chegava num lugar cheio de subidas e árvores, uma região de serra. Lá, ia encontrar alguns amigos. Estava sozinha e precisava arranjar um lugar para estacionar. O terreno era difícil, circulei muito, de um lado para outro, procurando uma vaga. Pessoas esperavam, em fila, alguma coisa que eu não sei. Quando estacionei, o jipe virou uma maleta preta, muito bonita e prática. Uma moça estava por perto; disse a ela: – Você tome cuidado com essa maleta, ela é o meu carro. A moça ficou surpresa, começou a examinar a maleta, achando fabuloso que isso fosse possível.
Foi quando eu também percebi que meu jipe tinha algo que dificilmente outros teriam – e acordei.

HÁ IDIOMAS

em que a palavra “outono” não existe – explicava um senhor que dominava muitas e muitas línguas diferentes. Sem a palavra outono, as folhas das árvores não mudam de cor, não caem. E também chega a primavera – continua ele. Só se vive os dois grandes momentos opostos do ano: o verão e o inverno.

Por outro lado, há palavras escondidas para momentos do dia e cores do céu que não conseguimos enxergar.

UM POETA AFRICANO

fazia uma visita por aqui. Ele compunha seus poemas em frente ao público, por escrito, numa grande lousa. O público se sentava ao redor e olhava o trabalho do poeta. Ao mesmo tempo, ele escrevia com o que observava nos rostos das pessoas que o assistiam, em silêncio. Era então, na lousa, um poema daquele encontro, feito para aquele instante.

FUI PRO AEROPORTO

e, antes de entrar no avião, apresentei a uma moça da companhia aérea vários cartões de embarque de voos que não estavam pontuados. Ela vai analisando um por um e me fazendo perguntas: como assim esse voo é operado por duas companhias? que significa esse adesivo? e que voo é esse aqui, de SCR a TDV?
Ela pega um bastão de cola para juntar alguns pedaços desses bilhetes, cheios de adesivos de brasões e siglas que eu não consigo explicar. Eram de viagens que eu não lembrava ter feito.

HOLA, ME ESTÁS LEYENDO

e assim vamos indo, de um degrau a outro na escada, que começou não sabemos onde e leva a também outro lugar que desconhecemos.

MEDUSA

da Annie Lennox, foi o primeiro CD que compramos em casa, junto com o aparelho. Era um lançamento na época; No more i love you’s era trilha de novela? Ainda hoje ouvimos muito: agrada a todos.

Os covers do disco foram escritos por homens – isso poderia explicar o título, Medusa. Mesmo que no clipe de Why (do disco anterior) ela esteja mais próxima de uma Medusa, montada e colorida, o encarte cinza, em que ela aparece com os cabelos curtos de costume e o nome escrito à máquina de escrever na testa também intriga. Os cabelos em forma de serpente viraram letras e, tão cheia de cores antes, a Medusa agora toma o tom de pedra.