Arquivo do mês: fevereiro 2011

NO MEIO DAS PESSOAS

todas que vão e vem, alguém tenta ser eu, mais alguém tenta ser você.

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EM CASA PENSAVAM

que eu ia me tornar arquiteta, engenheira; isso porque adorava as plantas de imóveis que saiam no jornal. Pegava os anúncios ilustrados e brincava com eles horas a fio. Ficava olhando a organização do espaço, áreas comuns, fosso para o elevador. Desenhava plantas também, dos lugares onde eu queria morar. Ainda me lembram isso, a família.

Hoje olho para as plantas dos imóveis em lançamento: quartos e banheiros cada vez menores, sacadas onde só se pode colocar o ar-condicionado… – elas me sufocam. Mesmo assim ainda guardo a imagem de uma casa onde eu possa brincar.

VOCÊ PASSA

pelas mesmas ruas de todos os dias, de onde você mora já faz anos; poderia descer pelo caminho de olhos fechados, tudo é familiar e todos te conhecem, sabem quem você é e que horas vai e vem. Mas agora fica pensando: como será ver tudo isso com outros olhos – ver com os olhos de alguém que nunca passou por aqui, alguém chegando pela primeira vez onde você sempre viveu?

ERA UM TERREMOTO

mas o terremoto aconteceu enquanto eu estava dormindo; sonhava e o sonho virou pesadelo.

Um pesadelo dentro do qual alguém estava por perto, mas eu sofria muito, não controlava meu corpo. A sensação era boa, ruim, difícil: estava perto de morrer, talvez.

Acordei doente. Pensei: o pesadelo me deu o sinal. Só depois soube que o que meu corpo sofria era a terra toda que se movimentava.

NÃO SE SABE

direito onde começa o céu, cheio de nuvens; e onde termina a água, que reflete o céu.