Arquivo do mês: novembro 2010

MANDIOQUINHA COM QUEIJO

não é bem uma dupla, mas um grupo no qual a mandioquinha ocupa o primeiro lugar, incontestável, gosto de tempo frio, em qualquer forma que seja. Tem um nome carinhoso em português e outros muito particulares em outras línguas: white carrot, arracacha, apio criollo, etc. etc., que costumam aproximá-la sempre de outros vegetais com os quais ela parece – mas que nunca é.

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ERA UMA AMIGA

que reunia todas as amigas, as mais próximas e distantes. Ela marcou de se encontrar comigo numa feira de roupas, calçados, bolsas. Chegando lá eu vejo que ela tinha uma banca; estava vendendo coisas suas: não coisas que ela tinha fabricado, mas presentes de ex-namorados.

Vejo uma bolsa linda, meio roxa, meio azul, sem cor definida. Fico sem graça de comprar algo que ela ganhou de presente. Dentro da bolsa, cartas, bilhetinhos, recortes de jornal que o cara tinha dado a ela – que não se lembrava mais de nada sobre ele, tanto tempo já fazia… Os papéis todos caem no chão.

SALAMANDRAS

tem aparecido frequentemente nos desenhos. Na verdade, são uns traços que a deixam entre um réptil (poderia ser um camaleão?) e o anfíbio que ela é: criatura entre a terra e a água, mas que simboliza o fogo. O nome dela, por isso, serve para designar também um tipo de aquecedor, como aqueles dos desenhos animados.

ESTAVA NUM TREM

e em trens há sempre histórias misteriosas. Esse trem cruzava a Europa, já estávamos nos Bálcãs, num país imaginário. Algo como a Sildávia, das histórias do Tintim, o Cetro de Otokar, por exemplo.

interessante que foi redesenhado, para ganhar traços menos ocidentais

Relembrando o Tintim, o que eu sonhei tem um pouco a ver; o restante veio talvez do filme A origem. Eu fazia parte de um grupo de espiões-bandidos. Disfarçados, íamos entrar nesse país para recuperar algo valioso. O trem para na frente de um hospício (ou campo de concentração?). Um motim dos pacientes dominou o hospício e atacou o trem. As armas eram feitas de brinquedo, pedacinhos de madeira que viravam arco e flecha. Mesmo de maneira pueril, o trem foi dominado pelos loucos, que como crianças brincavam de lutar.

 

ELE SE CHAMAVA FERNANDO

fazia técnico em edificações, morava na Saúde, trabalhava com a gente. Tinha namorada, a menina que morava perto de mim e estudava na mesma escola. Ela me disse um dia voltando para casa, esquina da Paulista com a Pamplona: – Você está gostando dele, né?

Parecia então muito claro. Ela foi viajar, tiramos folga ele e eu no mesmo dia. Combinamos de nos encontrar de manhã cedo. Passeamos: ele queria ir ao shopping, tirar dinheiro do banco, muitos ônibus… mas onde mais fomos?

Subindo a Brigadeiro de volta à Paulista, de noite já, a cabeça dele no meu ombro. Um abraço na mesma esquina com a Pamplona, ele ia pegar o metrô; e dissemos tiau. Nenhum dia foi mais como aquele.

SONHO NO ÔNIBUS

estava com amigos, passeando. Uma moça de cabelos bem pretos pergunta onde fica a rua Schumann. Penso logo: ela deve estar querendo dizer a avenida Henrique Schaumann. Subíamos a rua dos Pinheiros. Indiquei o ponto onde também íamos descer, esquina da Rebouças com a H. Schaumann.

Descendo, tudo parece diferente do que é. A Rebouças tem uma placa com outro nome: Norah … alguma coisa. Norah Lange, a escritora, ou Norah Jones, a cantora? E a rua que cruzava era realmente Schumann, o músico, a moça estava certa.

Depois disso sentamos os amigos na praça Benedito Calixto, conversamos sobre música, post-its, outros passeios. Um deles falava especialmente pouco comigo, deixei assim. Mas ele chegou perto de mim, falando baixo: – Eu queria conversar com você. Estou aqui, sabia? – deixando na minha mão umas florezinhas amarelas muito pequenas e frágeis.

BOLACHA DE GERGELIM E NUTELLA

outra mistura que traz chocolate: uma coisa doce com algo mais salgado. Surgiu com o Sérgio (já era uma receita comum para ele? invenção com o que se tem em casa?), e por aqui pegou. Faz lembrar o Nanni Moretti em Bianca, mas tudo bem.