EU QUERIA ESCREVER

achei que a hora tinha chegado; aí peguei umas fichas do meu pai, uma caneta esferográfica azul numa gaveta da cozinha. E comecei. Fui desenhando as letras que eu via: a marca da televisão, os rótulos das latas, caixas e garrafas, um aviso na rua, os letreiros todos que eu conseguia ver, no ponto do ônibus na Cardeal Arcoverde com a Lacerda Franco. Ali em frente tinha uma gráfica. Dali para onde estávamos indo? Não sei mais.

Enchi umas duas fichas de letras, que estão guardadas até hoje. Escrevia? Talvez hoje eu diria que para mim escrever é escrever com os outros, para os outros, a pedido de alguém.

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