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O QUE É PRÊT?

há o substantivo e o adjetivo: o primeiro, derivado do verbo prêter, emprestar, deixar algo à disposição de alguém por um tempo determinado; o segundo, o estado de algo preparado, feito, pronto. Um pouco diferentes no sentido, os dois surgem do latim praesto: à disposição, à mão, aqui presente.

Em português, o equivalente mais próximo é prestes: próximo, iminente, que está a ponto de acontecer, ligeiro, rápido – mas os usos de prestes já são arcaicos para prêt em francês; o que também vale para o verbo prestar.

Com o mesmo som de prêt em francês existe près: a pequena distância – mas nesse caso a origem é outra, também latina: a mesma de pressa, pressão.

HÁ IDIOMAS

em que a palavra “outono” não existe – explicava um senhor que dominava muitas e muitas línguas diferentes. Sem a palavra outono, as folhas das árvores não mudam de cor, não caem. E também chega a primavera – continua ele. Só se vive os dois grandes momentos opostos do ano: o verão e o inverno.

Por outro lado, há palavras escondidas para momentos do dia e cores do céu que não conseguimos enxergar.

HOLA, ME ESTÁS LEYENDO

e assim vamos indo, de um degrau a outro na escada, que começou não sabemos onde e leva a também outro lugar que desconhecemos.

O QUE É ROUTE?

palavra aparentemente muito simples: caminho, trajeto, estrada. Pode opor-se a caminho, no sentido em que a route é algo planejado, demarcado oficialmente, sinônimo de estrada. O adjetivo derivado, routier, é equivalente ao nosso rodoviário. Logo, temos transport routier para transporte rodoviário; gare routière para a nossa rodoviária, o terminal rodoviário (rodoviaire em francês não existe).

Outro derivado de route, routard: aquele que viaja com poucos recursos, o mochileiro, hitchhiker. A palavra é patenteada em francês, por um dos criadores do famoso Guide du routard.

De route também vem routine, um caminho frequente.

A etimologia pode desconcertar: route, assim como rota, vem do latim rupta, caminho aberto, particípio passado no feminino do verbo rumpere, romper. Assim, rota (estrada) divide sua origem com roto (rompido, danificado).

O MÊS DE MARÇO

já foi, em outros tempos, o primeiro do ano; acaba a dureza do verão e do inverno, as estações brandas começam. Depois de fevereiro, mês de morte e purificação, março tem esse nome porque assinala o momento em que se parte para a luta.

O QUE É ATTENDRE?

à primeira vista, é um falso cognato para o português: significa “esperar, aguardar; permanecer num lugar até que algo aconteça: que o trem chegue, que venha uma resposta, que o médico chame”.

Mas attendre não está tão distante do português atender; ao menos ambos vem do latim attendere: “obedecer, dar auxílio, observar com prudência, ser vigilante, prestar atenção”; e atenção/attention também: “concentrar-se, colocar a mente em escuta e reflexão”.

O QUE É ADOUBER?

foi o que me perguntaram dia desses; à primeira vista, não me pareceu do francês de todo dia.  Realmente: consultando o dicionário, adouber está nos termos raros.

No vocabulário internacional do xadrez, um jogador diz “j’adoube” para deixar claro ao seu oponente que ele está simplesmente arrumando a posição de uma peça no tabuleiro. Não pretende jogar com ela (0u ao menos estaria tomando tempo, acho eu).

Adouber era acomodar as peças, arrumar, ornar um cavaleiro para o combate. E veio daí para o português a palavra adubo, num sentido que não existe para o francês: aquilo que se usa para conservar, fertilizar ou melhorar alguma coisa.

O QUE É DÉTAIL?

do francês; há correspondente em várias outras línguas europeias: detalhe, detail, detalle, detay, detagglio, Detail, detaliu, detalje, Dettall, detalj, детали, детаљ…

Composto por uma base que veio do latim tardio, taliare. Tailler é cortar em peças um produto, para colocá-lo à venda; esculpir, confeccionar, dar forma; dividir as cartas do baralho para começar o jogo.

Détail é a minúcia, o pormenor, a particularidade, aquilo a que damos mais atenção. Pelo contrário, pode ser algo insignificante, sem importância, a ser rejeitado.

Sempre parte de um todo mas, por sua diferença, é separado do restante – do qual guarda uma semelhança.

O QUE É JEU?

tem a mesma origem que jogo, em português. Tanto numa língua como na outra, são muitas as definições: atividade livre e desinteressada, diversão, passatempo, distração; competição, organizada em regras, com objetivos e prêmios; série de elementos que formam um conjunto; a maneira de jogar; etc.

A primeira definição em francês para jeu não equivale a jogo, mas a brincadeira. O mesmo, me parece, acontece com o espanhol jugar.

E não encontrei palavra de mesma raiz e de mesma história em francês: brincadeira vem de brinco, jóia, enfeite; vem do latim vinculum: aquilo que cria laços, relações, ligações, que prende uma pessoa a outra.

O QUE É PASSEPARTOUT?

palavra do francês, usada tal qual também em inglês e em português. A grafia com o hífen, passe-partout, é mais comum, mas caiu na reforma do francês da década de 1990 (poucos a seguem). Composta do verbo “passar” e da palavra partout, “em todos os lugares, de todos os lados”.

Primeiramente, seria uma chave-mestra, que abre as várias portas de um mesmo edifício, por exemplo. Mas também: uma serra de lâmina longa, que deve ser manipulada por duas pessoas, uma de cada lado; o apoio de papel cartão, que fica entre uma gravura e a moldura; a máquina das embarcações para quebrar grandes geleiras; a peça que se adapta a diferentes calibres de seringas, de trilhos de trem.

Em sentido figurado, é aquilo que convém a toda e qualquer situação, que vai bem e agrada em todo tipo de contexto – assim como as palavras e tudo o que elas podem significar. Nelas muita coisa cabe.