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MEDUSA

da Annie Lennox, foi o primeiro CD que compramos em casa, junto com o aparelho. Era um lançamento na época; No more i love you’s era trilha de novela? Ainda hoje ouvimos muito: agrada a todos.

Os covers do disco foram escritos por homens – isso poderia explicar o título, Medusa. Mesmo que no clipe de Why (do disco anterior) ela esteja mais próxima de uma Medusa, montada e colorida, o encarte cinza, em que ela aparece com os cabelos curtos de costume e o nome escrito à máquina de escrever na testa também intriga. Os cabelos em forma de serpente viraram letras e, tão cheia de cores antes, a Medusa agora toma o tom de pedra.

A MÚSICA FAZ

o que ela diz:

- Ando pela rua, cantarolando uma das suas músicas. Eu só sei um versinho lá do meio, e me dá vontade de ouvi-la de novo, de novo e de novo. Todos os dias eu ouço a sua música, agora, todo dia, o dia todo. Aí eu fico cantarolando a música, andando.

Eu só sei um versinho lá do meio, e me uma dá vontade ouvi-la de novo, de novo e de novo; de novo, de novo e de novo…

A PERSONAGEM DO SONHO

subiu no ônibus; era uma cantora francesa em São Paulo. Começou a cantar “dezesseis” do Legião Urbana e os passageiros começaram a acompanhá-la. Uma outra moça puxa conversa, elas ficam falando muito sobre música. As duas combinam de participar de uma manifestação na avenida Paulista, a favor dos artistas de rua.

A francesa vai de skate e guitarra, sobe a Augusta. Chegando na Paulista, o skate escapa, vai para perto de um cara tocando contrabaixo perto do banco do Brasil. Vários músicos se espalham pela avenida, todo mundo tocando. Parece que a francesa acaba perdendo o skate.

POR QUE O BLOCO

amarelo? A explicação simples: porque aparecia no seriado que mais gosto, Flight of the conchords. Nele Bret e Jemaine compunham as músicas; Murray fazia as atas de reunião; e, quem sabe, o musical que encerra a série. Independente do que eu poderia escrever nos blocos amarelos, precisava deles também.

O QUE SURPREENDEU

num filme do qual eu pouco criei expectativa?

A trilha sonora. Desde os créditos iniciais, aparecendo entre imagens de Manhattan ensolarada, a voz de David Byrne já garantia uma parte das boas sensações do filme. E não foram muitas mais, além do que Byrne e Brian Eno trouxeram com suas músicas.

Assim, o filme dura mais do que o que vi na sala – e de outro jeito, ouvindo e reouvindo a trilha.

COISAS PEQUENAS

que vão aparecendo aqui e ali, sem ligação entre si e com mais nada além delas próprias:

  • depois do sonho que tive na Polônia, achei uma cantora polonesa gracinha;
  • semana passada experimentei de novo duas coisas que não gosto: quindim e água com gás; estavam ali à minha frente, me ofereceram, não me pareceram tão ruins, mas também não são coisas deliciosas;
  • finalmente peguei a linha amarela do metrô; bonitinha; esperei o metrô longe do vidros da plataforma; eles me assustam mais do que a plataforma sem eles;
  • fui ver Tropa de elite 2 e fiquei pensando talvez o óbvio: se o filme tivesse sido lançado antes do primeiro turno teria influenciado as discussões sobre os candidatos do legislativo?
  • descobri por acaso também quem é o Fraga do Tropa 2. E fico com outra pergunta: o filme precisa dizer que é ficção?

ACORDEI DE UM PESADELO

com uma música na cabeça: “quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo…”. Continuei a cantar na cabeça, seguindo a letra, aí cheguei numa parte assim: “voltamos a viver como há dez anos atrás e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas”.

Essa imagem era a que eu mais gostava de toda a música. Tinha dez anos quando ela tocava no rádio. Tentava levar o que a música fala ao pé da letra: voltar a viver uma época do passado, mas com andamento rápido. Calculava depois de quantas horas (dividindo os minutos em dias da semana) eu estaria vivendo meu tempo presente.

UMA DAS TRÊS

opções: a. a música fala o que eu queria ouvir de outra voz; b. a música é a voz que eu gostaria que fosse minha; c. é o que gostaríamos de dizer uns aos outros
.

O QUE PODE ME PEDIR

um disco que me apaixona? Que eu pare de ouvir qualquer outra coisa, nem mesmo ele. Aí fica algo assim, como a música que eu ouvia: “no sono dos sons, meu sonho dorme profundo e esconde uma verdade que não se adivinha enquanto escrevo meu mundo” ou “uma verdade que nem eu mesmo via enquanto eu via o meu mundo”.

DOS DISCOS DAS MANHÃS

de sábado e domingo, alto na vitrola, esse ocupa um lugar central. Era daqueles que agradava tanto meu pai, como minha avó. E a mim, essa capa preta, o traço branco, o olhar tranquilo e ao mesmo tempo inquieto, sentada na cadeira de vime que poderia estar no nosso quintal. Devia saber que era uma cantora já morta, meio mito. As cordas (e ela não tinha anos antes manifestado contra a guitarra elétrica? – me pergunto agora) pareciam levar a cantora para o espaço, num céu sem estrelas, como a capa preta do disco, em meio às manhãs de sol dos finais de semana  – cantando “sou caipira pirapora” com o sino do trem saindo do túnel.